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BIG Festival: Onde o sonho encontrou a realidade

por Autor Convidado

Texto de André Meister – Ilustrador especializado em concept art

Todo mundo tem um trabalho dos sonhos em mente. Quem diz que não tem, ou está disfarçando, ou tem o desejo enterrado lá no fundo de sua mente. Ao relacionar-se com a realidade do dia a dia e o “senso do que dá certo”, declarar para as pessoas, o interesse por um “trabalho dos sonhos” é, muitas vezes, uma prova de que o dado indivíduo pertence à classe do aventureiro-rebelde-sem-causa que sai dos fundilhos de sua casa para jogar-se desnorteadamente contra as regras.

Bem, sendo justo, realmente não importa o resultado. É sempre uma incógnita, no fim das contas, quem realmente se dá bem e por quê, e quem realmente é um sonhador sem escrúpulos que não sabe o que está fazendo. Mas não quero discutir filosofia. Quero falar de um local bem real, onde o que é empresarial encontrou o que é sonho. O BIG Festival.

Realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro, de 27 de Junho a 7 de Julho, o Brazil’s Independent Games Festival reuniu 43 países para discutir novas tendências do mercado internacional independente, que a cada dia cresce, tanto pela facilidade tecnológica, quanto por necessidade de mercado.

O teor era descontraído. O evento premiou um grupo seleto de desenvolvedoras, segundo a inovação que trouxeram entre categorias como narrativa, gameplay e arte. Quem visitava, podia passar o dia experimentando as novidades e assistindo palestras sobre monetização, engajamento em negócios, busca de recursos (dentro e fora do Brasil) e parceiros. As palestras eram dadas tanto pelos próprios premiados como de nomes de empresas gigantes como Bandai-Namco, EA Games e Sega. No entanto, na minha ótica, a força real do evento estava por trás das cortinas.

Em uma área reservada, empresas de grande porte encontraram empresas inovadoras – às vezes compostas de apenas uma pessoa – para fazer negócios ou simplesmente para networking.

Nomes, como Mike Foster – Sony , Chris Wren – EA, Jefferson Valadares – Bandai Namco,  David Brevik – Gazillion Entertainment. Ok, pra quem não sabe, ele também é criador de nada menos que Diablo I e II – compunham um grupo interessado em dialogar. O teor das palestras deixava claro. A indústria precisa de novas cabeças pensantes. Novidades. Novidades, estas, sérias e preparadas para um mercado novo, não se resumindo à produção, mas também à monetização.

Tendências novas são difíceis de aplicar a jogos novos. Hoje em dia, é difícil justificar para investidores, o prejuízo de vendas de um jogo fracassado que custou entre 15 e 50 milhões de Dólares. Jogos como Red Dead Redemption, GTA V e The Last Of Us, por exemplo, estão nesta faixa de custo. Não é de se admirar que tantos remakes estão saindo e que o mercado indie seja saída. Isso foi constatado tanto pelos palestrantes de maior nome, como pelos próprios indies. Uma das frases que mais ouvi de bocas diferentes foi “Antigamente, todas as pessoas que eu conhecia dentro do grupo de criadores de games queriam trabalhar para empresas grandes e hoje, temos dezenas de motivos para não fazer isso e ir atrás do inovador”, e eu concordo absolutamente.

O mercado do entretenimento cresceu tanto nos últimos 20 anos, e teve tantas mudanças, que necessita sempre de novas formas de negócio. E acredito que a bola da vez é a criatividade. Isso vem sendo dito em todos os ambientes. Todo mundo está de saco cheio de ver remakes e repetições. E até aquele dia, eu achava que esse era só o caso do jogador. O pensamento caiu por terra quando eu via os olhos dos desenvolvedores mais experientes brilharem com os jogos que estavam expostos.

Com a tecnologia disponível hoje, é difícil encontrar algo que não possa ser feito. Desde o saudosismo do vintage game, até inovações, como em Luminocity (State Of Play), um puzzle inteligentíssimo, premiado pelo material artístico. Não tem quase nenhuma animação, é totalmente fundamentado inteiramente na captura de vídeo de uma casinha de papel. Segundo o desenvolvedor, só havia duas peças de animação realmente feitas inteiramente no computador. Uma corda e o bonequinho do jogo.

Event [ø], um jogo francês, usa a tecnologia muito semelhante ao do Autobot, em que você dialoga com uma inteligência artificial temperamental para consertar uma nave avariada.

This War Of Mine (e que já foi avaliado aqui no Com limão), é um jogo onde você não só é um sobrevivente de uma guerra em andamento, como é baseado em histórias reais. Eles realmente foram atrás de pessoas que tinham sobrevivido a conflitos e pegaram suas histórias. O game ganhou dois prêmios no BIG Festival: Melhor Jogo e Voto Popular.

Entre os brasileiros, Toren, da Swordtales, ganhou o prêmio Revelação Brasil. No BIG Starter, o jogo Relic Hunters Zero, da Rogue Snail Games, recebeu o prêmio de Melhor Jogo de Entretenimento, e o jogo Fófuuu, da Beltri Studios, levou o prêmio de Melhor Jogo Educacional.

Não preciso dizer muito mais. Novamente explicito. É hora de ser artista, e quando falo artista, não falo nem pelo lado de expressão por expressão, ou de fazer algo lindo. Eu falo de fazer algo com significado, que mova as pessoas, e façam elas pensarem, questionarem, vivenciarem. Encorajo os leitores a irem na STEAM, onde alguns desses jogos já estão disponíveis, e tirar suas conclusões. E para aqueles que querem o trabalho dos sonhos, o melhor que posso dizer é que pude presenciar com meus olhos, de que essa é realmente a hora de correr atrás.


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