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Designer brasileiro conta como construiu carreira de sucesso em Los Angeles

por Victor Vasques

O sonho de quase todo profissional de design com foco animação gráfica é trabalhar em um dos famosos estúdios de Los Angeles. Mas como chegar lá? O que fazer para conseguir entrar no mais exigente mercado do mundo? É possível ser reconhecido e ter uma carreira de sucesso nos EUA? E o visto de trabalho? Isso foi o que Daniel Coutinho descobriu durante a sua aventura nos últimos sete anos. Hoje, ele lidera uma equipe de animação gráfica 2D no renomado estúdio Buck, responsável pelo vídeo que acaba de ser lançado pela Apple para a campanha do novo iMac Pro (abaixo).

Daniel nasceu em Batatais, interior de São Paulo, há 34 anos. Antes de prestar vestibular, fez um teste vocacional e decidiu estudar Desenho Industrial com habilitação em Programação Visual. Ele, que sempre gostou de desenhar e escrever, começou o curso na UNESP de Bauru ainda sem saber ao certo que rumo teria sua carreira. “Os três primeiros anos do curso foram um pouco frustrantes, pois não tinha encontrado o meu caminho ainda. Até que um dia alguém me mostrou alguns filmes da MK12 e da Psyop, lendários estúdios americanos de animação gráfica. Me apaixonei na hora e decidi que era aquilo que queria fazer”, afirma Daniel.

Já no último ano da faculdade, em 2006, começou a fazer estágio na TV Globo, em São Paulo, onde trabalhou nos noticiários e acabou se tornando funcionário. “Trabalhar no jornalismo televisivo foi uma experiência excelente, principalmente pelo ritmo acelerado que exige muita capacidade de improvisação, flexibilidade e habilidade para lidar com prazos apertados e diferentes tipos de profissionais. Isso tudo fez muita diferença na minha carreira”, ressalta Daniel. Antes de partir para os EUA, ele ainda passou pela TV Bandeirantes e TV Record.

Uma carreira na gringa: UCLA, Apple e prêmios.

Desde que se apaixonou por animação gráfica, Daniel começou a nutrir o sonho de trabalhar nos estúdios que admirava nos EUA, incluindo a Buck. Sua primeira tentativa de se aproximar foi em 2009, quando juntou dinheiro e foi sozinho para a “Motion”, uma conferência de animação gráfica em Albuquerque, Novo México.

No evento, conheceu artistas importantes e começou a fazer contatos para tentar trabalhos como freelancer. “Foi uma experiência fantástica. Voltei para o Brasil decidido a ir trabalhar nos EUA. Comecei a fazer pequenos trabalhos no meu tempo livre para alguns estúdios americanos, enquanto mandava emails para uma lista que elaborei na esperança de conseguir um emprego lá. Não tive retorno e entendi que precisava de uma nova estratégia”, conta.

Foi então que Daniel descobriu um programa de Design na UCLA Extension, que oferecia a possibilidade de um treinamento prático opcional, uma permissão de trabalho de um ano para estudantes internacionais colocarem em prática o que eles aprenderam na sala de aula. Ele decidiu que este seria seu caminho e montou uma estratégia financeira rigorosa para poder pagar o curso e viver nos EUA nos primeiros tempos. Daniel fez o curso e trabalhou tanto quanto pode. Era freelancer na Imaginary Forces quando a Buck respondeu um dos seus inúmeros emails chamando para uma oportunidade.

“Quando um produtor entra em contato com você, em primeiro lugar, eles estão procurando ajuda para resolver seus desafios. Acredito que o que eu tive para oferecer não foi um talento excepcional, mas compromisso e responsabilidade. Eles me chamaram algumas vezes para trabalhos freelancer, e eu sempre estive pronto para ajudar. Então, depois de um tempo, expressei meu desejo de entrar para a equipe fixa e eles me ofereceram uma posição”, lembra Daniel.

Atualmente o brasileiro lidera uma equipe de animação gráfica 2D com cerca de 10 profissionais na Buck, onde está desde o final de 2013. Um dos trabalhos mais recentes é (apenas) a campanha do novo iMac Pro. No portfólio de Coutinho, trabalhos para clientes como Facebook, Google, IBM, Nike, entre outras marcas globais. O designer ainda tem na bagagem vários prêmios, além de ser jurado em diversos concursos da área.

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“Eu acho que as pessoas superestimam o talento. Vi artistas extremamente talentosos serem contratados e não se envolverem realmente na solução da tarefa em questão, ou talvez não funcionarem bem em uma equipe. Quando você estiver comprometido, seus colegas e diretores terão prazer em ajudá-lo a refinar seu trabalho, se necessário; mas se você é excessivamente confiante, pode não ser quem a equipe precisa para resolver o problema”, diz Daniel.

Dicas: Como trabalhar nos EUA

Uma das questões mais delicadas enfrentadas por todo brasileiro que quer trabalhar nos EUA é o visto de trabalho. “Recomendo que se estude muito bem o assunto e entenda qual a melhor opção pra você. No meu caso, optei pelo F-1, que é o visto de estudante que permite que em alguns casos o aluno trabalhe por até 12 meses após o fim do curso. Ao longo do tempo, é preciso renovar o visto, o que exige bastante dedicação”, explica Coutinho. O profissional reforça a necessidade de ter Inglês fluente e estudar o máximo possível antes de tentar a sorte no mercado americano. Não vale só ler e escrever bem, tem que falar mesmo.

“Construir um portfólio robusto é essencial para sair na frente. Sempre recomendo primeiro os conhecimentos fundamentais, como história da arte, teoria de cor e composição, tipografia, princípios de animação etc. Ainda que seu foco seja animação, demonstrar sensibilidade com o Design é importante, sim. Em seguida vem o domínio dos programas, como Photoshop, After Effects e C4D. A internet é um ótimo caminho para esse aprendizado. Por fim, quando se trata e expor seu portfólio, as plataformas mais comuns como Vimeo e Behance ainda são as mais efetivas”, finaliza.


Victor Vasques é designer, editor chefe do Com limão e sócio proprietário da Citrus Consultoria. Como gestor de marcas e criativo, já atuou com grandes marcas, como Discovery, UOL, iG, Globo.com e VEJA.

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