---
title: "Freedom: Os easter eggs e a liberdade de Pharrell Williams"
url: "https://comlimao.com/comunicacao/freedom-os-easter-eggs-e-a-liberdade-de-pharrell-williams/"
author: "Victor Vasques"
date_published: "2015-08-07T17:33:46-03:00"
date_modified: "2015-08-07T18:17:25-03:00"
categories: ["Comunicação"]
tags: ["Clipe", "Freedom", "História", "Liberdade", "Literatura", "Música", "Pharrell Williams", "Repertório"]
---

# Freedom: Os easter eggs e a liberdade de Pharrell Williams

Você pode até não gostar das músicas do Pharrell Williams, mas se é um profissional da área de comunicação (designer, publicitário, fotógrafo, etc.), saiba que você PRECISA assistir ao clipe do novo single “Freedom”.

Dirigido por Paul Hunter, diretor com 20 anos de experiência e bronze em Cannes 2010 (ele foi diretor da campanha AXE: Destiny), o clipe traz referências sutis de momentos históricos, da literatura e outras mídias que falam sobre o tema liberdade. Quer exemplos?

- 00:04 – Hong Kong: Se você prestou atenção nas aulas de história, sabe que a cidade-Estado briga por sua independência desde sempre. A região já foi controlada por britânicos, japoneses e (atualmente) chineses.

- 00:25 – As pirâmides humanas do festival La Mercè, na Catalunha: Outro território polêmico. Os catalães denominam a região como uma comunidade autônoma da Espanha. Nem todo mundo concorda e a discussão se arrasta pela história.

- 00:31 – Sharbat Gula: A fotografia da garota afegã que ficou famosa no mundo todo é referência neste ponto do vídeo. Durante os bombardeios soviéticos na região, Gula (na época com apenas 12 anos) perdeu os pais e foi parar em um campo de refugiados no Paquistão, onde foi fotografada por Steve McCurry. O registro é importante porque, além de mostrar uma refugiada, foi um dos poucos registros de uma mulher afegã sem a burca. Em 2002, a National Geographic foi atrás da menina (agora com 43 anos), mas só conseguiu confirmar sua identidade por meio de técnicas biométricas, comparando a íris dos olhos. Ironia do destino, já que o olhar é o principal foco da imagem.

- 0:58 – O chinês na praça da Paz Celestial: Outro ícone da história, o chinês que enfrenta os tanques, durante os protestos na praça da Paz Celestial, em 1989, aqui aparece recriado com peças de LEGO.

- 1:00 – Muhammad Ali: Considerado “O Desportista do Século” pela Sports Illustrated, o ex-campeão de boxe nasceu com o nome de Cassius Clay Jr., mas se converteu ao Islamismo e se negou a lutar na Guerra do Vietnã.

- 1:22 – São Paulo: Não entendi a conexão com o tema liberdade, mas a metrópole brasileira aparece rapidamente no vídeo. A imagem é um pouco antiga, já que ao fundo aparece o Conjunto Nacional e o relógio ainda contém a marca Itaú. Em 2011 o banco foi obrigado a retirar a marca (exibida no local desde 1976), devido a polêmica lei Cidade Limpa.

- 1:54 – O lado obscuro da moda: Pharrell faz uma referência aos complexos industriais de roupas, muitas vezes com trabalhadores a beira do escravismo. Acredito que a ideia seja recriar locais como o [prédio que desabou em Bangladesh](http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/04/130428_bangladesh_tragedia_lado_obscuro), em 2013, mas infelizmente também poderia ser uma loja do Brás, em São Paulo.

- 2:17 – [O Velho e o Mar](https://comlimao.com/2009/04/14/o-velho-e-o-mar-obra-prima-animada-com-mais-de-29-mil-frames-de-vidro/): Um dos clássicos da literatura mundial, o romance de Ernest Hemingway aparece em uma clara referência no vídeo. Na história, o pescador Santiago fica mais de 85 dias no mar e consegue (sozinho) capturar um peixe gigantesco. Ao retornar, tubarões atacam a carcaça do peixe e Santiago retorna apenas com a espinha. Recomendo a leitura!

- 2:24 – Os negros e a igreja americana: Sempre foi comum os negros americanos terem suas comunidades evangélicas/batistas. Nem sempre tinham espaços próprios, por isso eram montadas em tendas. Este tipo de igreja foi alvo de grupos racistas, como o Ku Klux Klan, durante a década de 60. No vídeo é possível perceber (pela estética, figurino e objetos) que Pharrell Williams voltou no tempo (ou não).

- 2:35 – Bundas de fora: A nudez sempre foi um tabu, ao mesmo tempo em que simboliza liberdade. O único momento do vídeo em que o “clichê” é usado.

Viu, não basta fazer um clipe bonito! Quando se tem repertório e um diretor como Paul Hunter, uma música vira história de verdade.
