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title: "e-Krona, redesign do papel moeda e o futuro do dinheiro"
url: "https://comlimao.com/design/e-krona-futuro-dinheiro/"
author: "Victor Vasques"
date_published: "2020-04-06T18:12:00-03:00"
date_modified: "2020-04-16T00:00:10-03:00"
categories: ["Design", "Futuro"]
tags: ["China", "Design Gráfico", "Destaques", "Dinheiro", "Papel Moeda", "Suécia"]
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# e-Krona, redesign do papel moeda e o futuro do dinheiro

[Design de papel moeda sempre foi algo muito curioso para mim](https://comlimao.com/2017/02/08/inspiracao-o-redesenho-latino-do-peso-argentino/). Projetar uma nota ou um conjunto de notas para uma determinada moeda não é apenas um trabalho de design gráfico, mas envolve tecnologia e segurança, em algo que será produzido em escala e que precisa ser quase infalível contra cópias. Há alguns anos, vi o [projeto de mestrado](https://www.behance.net/gallery/19414395/Hungarian-paper-money) da húngara Barbara Bernát, que desenvolveu uma série de notas para o Florim Húngaro.

Um dos lados tinha gravuras de animais da fauna húngara e o verso representava plantas da flora do mesmo país. Um trabalho belíssimo, composto por 10 gravuras e design clean, também possuía uma impressão — visível apenas sob luz negra — onde os ossos dos animais funcionam como marca de segurança. Em resumo, um trabalho digno de nota 10.

De 2015, vamos para os dias atuais. O Banco Central da Suécia anunciou o projeto piloto do e-Krona (versão digital da Coroa Sueca). A proposta é, até 2023, transformar todo o dinheiro do país em versão digital. No ambiente de testes, os usuários deverão ser capazes de manter o dinheiro em uma carteira digital segura, efetuando pagamentos, depósitos e “saques” por meio de dispositivos móveis, sejam eles wearables, smartphones, relógios ou cartões.

O projeto piloto terá duração de 1 ano (fevereiro de 2021), com a opção de se estender, caso haja alguma necessidade técnica. Segundo o Banco Central do país, ainda não há uma decisão final sobre a emissão do e-Krona — apesar de existir um consenso sobre as mudanças nos próximos anos — ou sobre qual tecnologia poderá ser usada.

Em paralelo, no início de 2019, escrevi para o Instituto Tellus o texto “[A China do Futuro: Depois do dinheiro, agora é a vez dos documentos serem substituídos](https://tellus.org.br/instituto/china-futuro-dinheiro-documentos-online/)”, onde já afirmava que, “segundo o Fórum Econômico Mundial, a Suécia pode parar de usar dinheiro em espécie até 2023.” Ainda no texto, escrevi: Na China, as notas de dinheiro viraram item de museu (literalmente). Na cidade de Shenzhen, no sul do país, o museu de design tem em exposição máquinas de ATM como peças históricas. Além disso, Tencent e Alibaba, com os seus respectivos WeChat e AliPay, trouxeram o país oriental para o mundo das e-wallets (carteiras digitais), substituindo a forma como o povo chinês paga contas, faz transferência de valores e, até mesmo, para dar esmolas na rua.

Seja na Suécia, China ou Somalilândia, uma coisa é quase certeza, o dinheiro em papel deve reduzir drasticamente nos próximos anos. Uma tendência global, seja ela impulsionada por inflações gigantescas ou por tecnologias cada vez mais presentes em nosso cotidiano.

***Curiosidade**: A Somalilândia, um país com orçamento de R$ 250 milhões e sem crédito no FMI, praticamente deixou de utilizar o papel moeda devido a sua inflação gigantesca (são necessários 9 mil Shilings para comprar US$ 1). O  país da África Subsaariana utiliza “troca de créditos” como base para transações financeiras. Leia mais sobre o caso da Somalilândia [neste link](http://inovasocial.com.br/inova/somalilandia-futuro-moeda-virtual/).*
