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title: "IA no design: Pesquisa revela o futuro da profissão no Brasil"
url: "https://comlimao.com/design/estudo-ia-design-brasileiro-2025/"
author: "Victor Vasques"
date_published: "2025-11-26T17:06:41-03:00"
date_modified: "2025-11-26T17:08:32-03:00"
categories: ["Design"]
tags: ["Brasil", "Design", "Estudo", "Inteligência Artificial", "Trabalho criativo", "Transformação digital"]
description: "Adoção massiva e desafios de maturidade organizacional. Panorama revela detalhes do uso da IA no design brasileiro."
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# IA no design: Pesquisa revela o futuro da profissão no Brasil

> Adoção massiva e desafios de maturidade organizacional. Panorama revela detalhes do uso da IA no design brasileiro.

No mercado de trabalho de hoje, a IA já não é  uma convidada ocasional. Independente da área em que você atua, é muito provavel que ela está na mesa do lado, aberta em várias abas, respondendo prompts, gerando esboços, testando variações de layout e ajudando a tirar ideias do papel em menos tempo. No mercado de design então, esse cenário já nem parece futurista para alguns — e os números comprovam que, no Brasil, isso virou rotina.

**Leia também: **[Por que Design? Uma reflexão sobre valor, estratégia e transformação](https://comlimao.com/design/por-que-design-reflexao-valor-transformacao-estrategia/)

Um estudo realizado pela Môre Design em parceria com o IBPAD traçou um **panorama do uso de IA entre profissionais de design no país**, combinando rigor quantitativo com uma escuta qualitativa da comunidade. Foram 823 participantes, em sua maioria jovens, com grande concentração nas faixas de 25 a 34 anos (44%) e 35 a 44 anos (31%), refletindo um mercado plural, estratégico e atento à inovação.

“Do ponto de vista organizacional, a integração entre IA e práticas de design reduz o tempo entre estratégia e execução, qualifica decisões e favorece experiências mais personalizadas. A combinação de automação, dados e criatividade orientada por IA abre espaço para modelos de operação mais eficientes e inovadores.”

— Léo Xavier, fundador e CEO da Môre

O recorte de gênero também mostra equilíbrio em transformação: 53% se identificam como mulheres, 45% como homens e 2% como pessoas não binárias. Regionalmente, o Sudeste domina com 67% dos respondentes, seguido pelo Sul (17%) e Nordeste (10%). A maior parte atua em empresas privadas, consultorias e startups ligadas a tecnologia, software, comunicação e entretenimento.

Mas o dado que realmente chama atenção está no uso cotidiano: **94% dos designers já incorporaram alguma ferramenta de IA ao trabalho**. Desses, 66% usam a tecnologia diariamente e 25% semanalmente. A curva de adoção forma um “U” curioso: tanto os nativos digitais (até 24 anos) quanto profissionais maduros (acima de 55) estão entre os que mais dizem usar IA com frequência.

Na prática, isso significa que a IA deixou de ser curiosidade para virar infraestrutura criativa. Ela participa de pesquisas de referência, organização de ideias, rascunhos de texto, variações de layout, testes de tom de voz e até roteiros de apresentação para clientes. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e recursos de IA em softwares de design já são amplamente conhecidas e usadas por uma parcela significativa da amostra — um exemplo nítido desta rotina foi resumida na palestra “Tornando a vida mais simples com o Design System do Itaú”(abaixo)

Ao mesmo tempo, o estudo mostra que a percepção sobre o impacto da IA é menos apocalíptica do que muitos debates sugerem. **Para 69% das pessoas, a IA é um suporte incremental: acelera tarefas, amplia possibilidades, mas não substitui o olhar humano. **Outros 21% a enxergam como transformadora, capaz de redesenhar processos e abrir novos modelos de negócio. Apenas 8% veem impacto mínimo, e 1% diz não perceber mudança.

**Essa leitura pragmática conecta o design brasileiro a uma ideia de tecnologia como aliada, e não como ameaça direta à profissão**. Em vez de falar em “fim do trabalho criativo”, os profissionais ouvidos apontam para um novo tipo de colaboração: cabe à IA lidar com volume, repetição, síntese rápida de dados. Ao designer, resta justamente aquilo que nenhuma máquina entrega sozinha: contexto, repertório, sensibilidade e capacidade de julgar o que faz sentido para pessoas reais.

**Leia também:** [Como se manter humano em um mundo cheio de IA?](https://comlimao.com/design/como-se-manter-humano-mundo-cheio-ia/)

Outro ponto importante é a maturidade organizacional. O estudo indica que, embora a adoção seja alta, ainda há um caminho a percorrer em temas como governança, segurança de dados, diretrizes éticas e cultura interna. Muitas empresas estimulam o uso experimental, mas carecem de políticas claras sobre o que pode ou não ser feito com IA, como tratar dados sensíveis e como compartilhar aprendizados entre equipes.

“Embora o estudo mostre que o impacto ainda é incremental, ele aponta para uma transformação iminente. Minha reflexão pessoal, baseada tanto no estudo quanto nas minhas experiências no Brasil e no exterior, é que **o ‘design tradicional’ já desapareceu ou não é mais valorizado pelas empresas. Em organizações líderes como o Itaú, os designers já se tornaram líderes de produtos e solucionadores de problemas de negócios e clientes.** Eles utilizam escuta ativa com GenAl para criar soluções que agregam valor ao negócio e aos clientes, gerando receita e reduzindo custos, 100% integrados à estratégia”, afirma Fabricio Dore, diretor de experiência e design no Itaú.

No fim, o recado da pesquisa é claro: discutir IA no design brasileiro, em 2025, já não é falar de um futuro distante, mas de um presente em plena transição. Quem tratar a tecnologia apenas como atalho corre o risco de ficar na superfície.

Quem enxergar nela uma oportunidade de repensar processos, competências e modelos de trabalho tem mais chances de liderar esta nova fase do mercado.

Leia o estudo completo aqui: “[IA no Design 2025: adoção, impacto e maturidade](https://more.design/estudo-ia)“
