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title: "O laboratório invisível da F1 e o papel da Lenovo nos bastidores"
url: "https://comlimao.com/design/lenovo-motorola-formula-1-branding-tecnologia-invisivel/"
author: "Victor Vasques"
date_published: "2026-11-08T17:56:57-03:00"
date_modified: "2026-11-08T17:56:58-03:00"
categories: ["Design"]
tags: ["Branding", "Fórmula 1", "Inovação", "Lenovo", "Motorola", "Tecnologia"]
description: "Saiba como a Lenovo e Motorola atuam nos bastidores da F1 e transforma infraestrutura tecnológica, inovação e experiências em valor de marca."
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# O laboratório invisível da F1 e o papel da Lenovo nos bastidores

> Saiba como a Lenovo e Motorola atuam nos bastidores da F1 e transforma infraestrutura tecnológica, inovação e experiências em valor de marca.

A Fórmula 1 costuma ser apresentada como um laboratório para a indústria automotiva. Se você leu o texto sobre Doritos e Gatorade, deve ter visto que reforço este ponto. Mas é que talvez nem todo mundo saiba; é nas pistas que engenheiros testam soluções em condições extremas, experimentam novos materiais e procuram ganhos de eficiência que, eventualmente, podem influenciar os carros que utilizamos no cotidiano.

Mas existe outro laboratório funcionando durante cada Grande Prêmio. Um que não aparece nas ultrapassagens, não recebe troféus e raramente ocupa as transmissões: a infraestrutura tecnológica responsável por fazer o espetáculo acontecer. Algo despercebido até para os mais aficcionados.

É nesse território que a Lenovo constrói sua presença na categoria. Parceira global de tecnologia da Fórmula 1, a empresa fornece soluções computacionais que ajudam a sustentar operações envolvendo dados, processamento e comunicação. A relação vai além da exposição de uma marca em um evento esportivo; ela faz parte da experiência.

Durante o Grande Prêmio de São Paulo de 2026, em Interlagos, conversamos com Eliane Andreu, CMO da Lenovo no Brasil, sobre os bastidores dessa parceria e um desafio que interessa especialmente a quem trabalha com branding: como transformar uma tecnologia que quase ninguém vê em valor percebido pelo consumidor?

## Existe uma segunda corrida acontecendo nos bastidores

  
    
    
  

Quando pensamos na tecnologia da Fórmula 1, é natural imaginar sensores, telemetria e os sistemas utilizados pelas equipes para acompanhar o desempenho dos carros. Só que a operação da categoria também depende de uma estrutura capaz de processar e distribuir informações em escala global.

Imagens de transmissão, comunicação entre diferentes centros operacionais e grandes volumes de dados precisam circular com rapidez e confiabilidade. Um atraso que parece pequeno em outra atividade pode ter consequências importantes em um ambiente no qual decisões acontecem em frações de segundo. É nesse contexto que a Lenovo participa da infraestrutura tecnológica da competição.

A executiva chama atenção para um aspecto pouco conhecido da experiência de quem acompanha as corridas… a tecnologia mais importante nem sempre é aquela que aparece na tela.

A fala ajuda a colocar a parceria em perspectiva. Em vez de associar a marca apenas à velocidade dos carros, a Lenovo procura demonstrar sua capacidade de atuar em uma operação que exige disponibilidade, precisão e resposta rápida.

“Imagina um esporte como a Fórmula 1 ter um delay em alguma informação para o piloto. Tudo isso está aqui por trás, só que o consumidor não vê.”

— Eliane Andreu, CMO da Lenovo no Brasil

## A pista é um ambiente de testes, não apenas uma vitrine de produtos

Uma das características mais interessantes da Fórmula 1 é sua capacidade de transformar necessidades extremas em problemas concretos de engenharia.

Em um fim de semana de corrida, a infraestrutura precisa funcionar sob pressão, atender a diferentes demandas e acompanhar uma operação itinerante. Depois de um circuito, os equipamentos e as equipes técnicas precisam estar preparados para o próximo destino.

Eliane destaca justamente essa mobilidade como um dos aspectos mais impressionantes da parceria entre as marcas na modalidade.

“É o mesmo centro, é o mesmo sistema que vai para todos os circuitos do mundo. Os engenheiros que estão aqui vão sair daqui e vão para o próximo destino. Eles levam tudo.”

— Eliane Andreu, CMO da Lenovo no Brasil

Isso significa que o desafio não é apenas oferecer computadores potentes. É garantir que equipamentos, processos e profissionais consigam reproduzir uma operação complexa em diferentes países, condições e estruturas.

Para uma empresa de tecnologia, essa experiência tem valor que ultrapassa o esporte. Ela coloca soluções de infraestrutura diante de exigências que também aparecem em setores como indústria, logística, comunicação e serviços corporativos.

Há, porém, uma distinção importante. Utilizar tecnologia em uma competição não significa que cada solução tenha sido desenvolvida originalmente para a Fórmula 1 ou que será transferida diretamente para um produto doméstico.

O aprendizado está também na maneira de integrar sistemas, antecipar falhas e trabalhar com restrições reais.

## A inovação automotiva também depende da infraestrutura invisível

Quem acompanhou a Fórmula 1 este ano, viu que o esporte atravessa uma transformação técnica importante, com novas regras para unidades de potência, maior participação da energia elétrica, combustíveis sustentáveis avançados e aerodinâmica ativa (e muito, mas muito, software envolvido).

Essas mudanças reforçam a imagem da categoria como espaço de experimentação automotiva. Mas também ampliam a importância dos sistemas que ajudam a observar, interpretar e comunicar o que acontece nas pistas.

Nesse cenário, o trabalho de uma parceira tecnológica não deve ser confundido com o desenvolvimento dos motores ou dos componentes dos carros. A contribuição da Lenovo está principalmente na infraestrutura computacional e operacional da Fórmula 1. É uma diferença que ajuda a compreender a dimensão da parceria.

O consumidor pode conhecer a Lenovo por um notebook e a Motorola por um smartphone. Já o ambiente corporativo envolve estações de trabalho, servidores, serviços e soluções de infraestrutura que dificilmente aparecem na comunicação tradicional de produtos.

Na entrevista, Eliane descreve essa distância como um desafio de narrativa. “A gente tem que estar sempre contando essa história, como a tecnologia está por trás”, afirma a executiva.

A declaração resume uma questão recorrente para marcas de tecnologia nos últimos anos, a tecnologia tem se tornado cada vez mais invisível e é preciso demonstrar competência em algo que funciona justamente porque não chama atenção.

## Como transformar tecnologia invisível em uma marca reconhecida?

  
    
  

Estar presente em um evento global não garante, por si só, que o público compreenda o papel de uma empresa. Um patrocínio pode gerar reconhecimento visual, mas construir uma associação relevante exige explicar por que aquela marca está ali.

Segundo Eliane, a Lenovo trabalha essa narrativa por diferentes canais, incluindo comunicação, imprensa, relacionamento com clientes e experiências presenciais. “A gente não consegue contar de uma forma só. Tem que ter vários pontos de contato para conseguir contar essa narrativa.”

Em Interlagos, essa estratégia ganha uma dimensão mais próxima do consumidor por meio das ativações na Fanzone. O público pode conhecer produtos, participar de experiências e interagir com a marca em um contexto associado à tecnologia e ao entretenimento.

O objetivo, no entanto, não é necessariamente transformar cada interação em uma venda imediata.

  
    
  

“Aqui é muito mais ele conhecer, interagir e falar: ‘Poxa, que bacana esse produto’. Porque aí ele fica com esse *recall*. Numa próxima compra, ele vai ter uma memória boa da experiência que teve”, explica a executiva.

É uma leitura de branding que merece atenção. A ativação não precisa terminar no caixa para ter valor. Ela pode funcionar como um investimento em familiaridade, lembrança e consideração futura.

Aliás, esta é uma tecla que bato muito nos últimos anos. Se você parar para olhar as grandes marcas, nem todas ativações de marca, ações de branding e/ou estratégias de comunicação terminam no carrinho de compras. Com a onda de discursos sobre performance, ROI nas redes sociais e mais outra infinidade de palavras de impacto para vender curso; parece que parte do mercado esqueceu o que é construir uma marca.

Claro que isso não dispensa métricas. Uma experiência positiva não comprova, isoladamente, que houve aumento nas vendas. Mas ajuda a explicar por que empresas investem em plataformas que aproximam produtos de emoções, repertórios e interesses do público.

## Uma parceria global precisa conversar com o Brasil

“O brasileiro é mais caloroso. Então a gente vai passando por essas tropicalizações em alguns pontos de contato, na comunicação, na imagem ou na forma que a gente traz os clientes e as experiências.”

— Eliane Andreu, CMO da Lenovo no Brasil

  
    
  

A Fórmula 1 tem alcance internacional, mas a relação do público com as marcas não acontece da mesma maneira em todos os mercados.

Questionada sobre as particularidades brasileiras, Eliane aponta adaptações na comunicação e na forma de receber clientes. Para ela, a proximidade e o cuidado no relacionamento têm um peso especial nas experiências realizadas no país.

A executiva também destaca o interesse do público brasileiro por ativações interativas. “O brasileiro adora esse tipo de ativação aqui da Fanzone. Adora interagir, jogar, brincar, ganhar brinde. Não são todos os mercados que fazem isso.”

Essa percepção mostra que uma estratégia global não precisa significar execução padronizada. A identidade permanece, mas a maneira de construir vínculos pode mudar.

Para quem trabalha com design e comunicação, a questão é familiar; consistência de marca não equivale a repetir a mesma experiência em todos os lugares.

Uma boa estratégia precisa reconhecer aquilo que é comum e aquilo que merece ser adaptado.

  

  
  
  
    
    
    
      
        
      

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## O verdadeiro laboratório está na maneira de resolver problemas

Ao falar sobre como a Lenovo e Motorola procuram demonstrar valor além do preço, Eliane retorna a um princípio que também ajuda a entender a presença da empresa na Fórmula 1. A tecnologia precisa responder a necessidades concretas.

“Você tem que entender qual é a dor do cliente. Muitas vezes pode passar por um serviço, pode passar por uma infraestrutura, pode passar só por um device.”

— Eliane Andreu, CMO da Lenovo no Brasil

No mercado de consumo, ela cita diferenças bastante práticas. Um jogador pode priorizar desempenho gráfico, enquanto alguém que utiliza o computador para trabalhar pode valorizar autonomia de bateria. No ambiente corporativo, a solução pode depender de uma combinação de equipamentos, serviços e infraestrutura.

Essa lógica também aparece na Fórmula 1. O valor de uma tecnologia não está simplesmente em sua ficha técnica, mas na capacidade de resolver um problema sob condições específicas.

A categoria continuará sendo um laboratório importante para a engenharia automotiva. Mas sua operação revela outra dimensão da inovação: a necessidade de conectar pessoas, dados, equipamentos e processos em um sistema que não pode depender apenas de boas condições para funcionar.

Para a Lenovo, a parceria oferece uma oportunidade de demonstrar essa competência e, ao mesmo tempo, aproximá-la de quem conhece a marca principalmente pelos produtos que utiliza em casa.

No fim, a tecnologia pode até ser invisível durante a corrida (e, até mesmo, no escritório ou em casa). O trabalho de torná-la compreensível, relevante e confiável é uma decisão bastante humana.
