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title: "Inovação Chinesa: Os super aplicativos e os destaques no ranking da Fast Company"
url: "https://comlimao.com/tecnologia/inovacao-china-super-aplicativos-fast-company/"
author: "Victor Vasques"
date_published: "2019-03-07T00:09:33-03:00"
date_modified: "2019-03-07T00:09:33-03:00"
categories: ["Tecnologia"]
tags: ["Aplicativos", "China", "Facebook", "Tencent", "Wechat", "Whatsapp"]
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# Inovação Chinesa: Os super aplicativos e os destaques no ranking da Fast Company

Por anos, a China foi conhecida por ser um país gigante que fabricava e copiava muitas das inovações do ocidente. De alguns anos pra cá, o jogo tem mudado. Tanto governo, quanto empresários chineses perceberam que o país já tinha mão de obra e fábricas, só faltava focar em design, pesquisa e desenvolvimento para ganhar o mundo. Um dos grandes termômetros deste cenário é o [ranking das 50 empresas mais inovadoras do mundo](https://www.fastcompany.com/most-innovative-companies/2019), da Fast Company. Por anos liderada por empresas do Vale do Silício e outras partes dos EUA, a lista deste ano traz duas empresas orientais no primeiro e segundo lugar. Como a própria revista afirmou, “as duas empresas mais inovadoras do mundo hoje estão mudando a forma como centenas de milhões de consumidores asiáticos compram alimentos, reservam hotéis e muito mais.”

Mas para entendermos melhor como a China virou o país da cópia, para o país da inovação, precisamos voltar no tempo e entender como o idioma chinês se transformou. Além de ser o idioma nativo mais falado no mundo, o chinês é um gigante com suas próprias peculiaridades. Conhecida como um “macro idioma”, ele possui diversos dialetos e o famoso mandarim é apenas um deles. Em 1956, a China decidiu unificar o idioma no país, isso gerou diversas polêmicas e, até hoje, muitas localidades chinesas não aceitaram o mandarim como idioma nativo. Mas isso fez com que um país gigantesco falasse o mesmo idioma. Para você ter uma ideia, a diferença entre os dialetos era tão grande, que – fazendo uma analogia – era como se uma parte do país falasse francês e outra parte falasse alemão.

Mas como se padroniza o idioma de mais de 1 bilhão de pessoas? Os hanzis, conjuntos de logogramas (símbolo que denota um conceito concreto ou abstrato da realidade) chineses são muito simples e repletos de significados da cultura chinesa. Veja o exemplo do logograma montanha: 山 (*shān*). Se você prestar bastante atenção, o símbolo forma – de um jeito bem abstrato – uma montanha. Já o logograma para homem: 男人 (*nánrén*) possui diversos significados dentro de um só. O símbolo 田 (*tián*) significa campo e 力 (*lì*) significa força. Juntos, formam o sufixo 男 (*nán*), que significa masculino. Já o 人 (*rén*) é pessoa. Junte tudo e você terá “homem” ou a pessoa que é a força do campo. Apesar de ser um alfabeto composto por mais de 80 mil símbolos, de acordo com a empresária chinesa ShaoLan, criadora do [Chineasy](https://comlimao.com/2015/07/23/chines-a-lingua-de-1-bilhao-de-pessoas-parte-ii/)(veja abaixo o TED talk em que ela explica o sistema), um chinês de 8 anos sabe, em média, 200 hanzis.

 

Agora que já entendemos como a educação impulsionou a integração da China, vamos voltar aos dias atuais. Segundo o [Índice Global de Inovação 2018](http://inovasocial.com.br/inova/indice-global-inovacao-2018/), que leva em conta indicadores como capital humano, infraestrutura, número de registros de patentes e, até mesmo, criatividade para mensurar a inovação, os chineses estão entre os vinte países mais inovadores do mundo, a frente de países como Canadá, Noruega e Austrália. Já no ranking da Fast Company, citado no começo do texto, os “super aplicativos transacional” está transformando empresas locais em toda a Ásia, digitalizando suas operações e alimentando seu crescimento e expansão.

A Meituan Dianping, primeira colocado no ranking, é uma plataforma tecnológica que agiliza a reserva e a entrega de serviços como alimentos, estadias em hotéis e ingressos de cinema – sozinha, a plataforma movimentou 27,7 bilhões de transações (no valor de US $ 33,8 bilhões) para mais de 350 milhões de pessoas em 2800 cidades. Enquanto isso, no sudeste da Ásia, a Grab, empresa sediada em Cingapura, forçou a Uber a sair da região em 2018 e adquiriu suas operações locais. Alguns meses depois, expandiu seu aplicativo para oferecer aos seus 130 milhões de usuários não apenas entrega de alimentos e reservas de viagens, mas também serviços financeiros e outros. Além disso, ainda este ano, o Grab adicionará serviços de saúde da Ping An, a gigante da saúde digital chinesa.

Diferente dos países ocidentais, China e outros países da região se acostumaram com os super aplicativos transnacionais. Muito mais do que se acostumar, esse novo formato digital tem construído gigantes, como o WeChat, [da Tencent](http://inovasocial.com.br/inova/quem-e-a-tencent/), única empresa chinesa a fazer parte do trio que compõe o “clube dos US$ 300 bilhões”, empresas que possuem este montante como valor de mercado (as outras duas empresas do “clube” são Google e Apple). O aplicativo da Tencent, por exemplo, possui mais de 1 bilhão de usuários diários ativos e, durante o último Ano Novo Lunar Chinês, evento que durou seis dias, movimentou mais de 823 milhões de usuários trocando “*hongbao*”, presentes monetários enviados pelo aplicativo. Por aqui, seguimos utilizando aplicativos individuais, onde cada um faz uma tarefa e onde milhões de usuários parece algo grandioso, mas está longe dos bilhões do oriente. E você, acredita que os super aplicativos são o futuro ou são algo que só funcionam nos mercados do outro lado do planeta?

***Leia também:***

- “[A China do Futuro: Depois do dinheiro, agora é a vez dos documentos serem substituídos](https://www.tellus.org.br/instituto/china-futuro-dinheiro-documentos-online/)”, artigo sobre a iniciativa mais recente envolvendo empresas e o setor público chinês.

- “[Facebook está desenvolvendo criptomoeda para ser enviada pelo WhatsApp](https://www.nytimes.com/2019/02/28/technology/cryptocurrency-facebook-telegram.html)“, artigo do NY Times mostra como Facebook  e Telegram estão desenvolvendo suas próprias criptomoedas para entrarem no universo dos super aplicativos.

Imagem Destaque – [Toa55/Shutterstock](https://www.shutterstock.com/pt/g/toa55)
