Agentes de IA realizarão compras para uma em cada dez pessoas até 2030

Relatório prevê que agentes de IA realizarão compras rotineiras para as pessoas até 2030.

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A relação entre consumidores e o comércio eletrônico caminha para uma mudança estrutural até o final desta década. De acordo com um relatório divulgado pela Mastercard, intitulado A Short History of the Future of Shopping and Payments, mais de 300 milhões de compradores online em todo o mundo — o equivalente a cerca de 10% dos consumidores digitais — deverão utilizar regularmente agentes de Inteligência Artificial para adquirir produtos de forma autônoma até 2030.

Desenvolvido com base em pesquisas internas da Mastercard e nas perspectivas de quatro futurologistas globais — Magnus Lindkvist, Patrick Dixon MBE, Katja Forbes e Theodora Lau —, o estudo explora a consolidação do chamado comércio agêntico. A projeção indica que a IA deixará de atuar apenas como uma ferramenta de recomendação para assumir a execução de transações cotidianas, como compras de supermercado, medicamentos e assinaturas recorrentes.

“Por seis décadas, a Mastercard tornou possível para as pessoas pagarem e receberem de forma simples e segura, e esse propósito continua por meio daquela que pode ser a maior mudança no consumo desde a invenção do próprio dinheiro”, afirma Eduardo Arnoni, Vice-presidente Sênior de Soluções para Clientes da Mastercard, em material enviado à imprensa.

A separação entre compras rotineiras e descoberta

As previsões detalhadas no documento apontam que a delegação de tarefas repetitivas a sistemas inteligentes redefinirá o significado do ato de consumir. Para o futurologista Magnus Lindkvist, o processo de aquisição de bens básicos será completamente delegado às máquinas.

“Até 2030, comprar e fazer compras não significarão mais a mesma coisa. Os agentes de IA cuidarão das compras rotineiras, deixando o ato de ir às compras como algo que escolhemos fazer por descoberta, inspiração e prazer”, pontua Lindkvist.

Além de transações automatizadas em ambientes virtuais, o relatório sugere o surgimento de tecnologias complementares, como dispositivos vestíveis (relógios e anéis inteligentes) capazes de monitorar o desempenho de produtos após a venda, além de agentes físicos de IA integrados ao varejo presencial.

O impacto para o varejo e a adaptação para máquinas

Com a ascensão dos agentes autônomos, o ecossistema do varejo precisará se adaptar a um novo perfil de cliente: um sistema algorítmico capaz de processar grandes volumes de dados, verificar alegações de marcas e analisar avaliações de outros consumidores em frações de segundo para concluir uma compra.

Esse cenário exigirá que varejistas tornem suas informações de produtos, políticas e programas de fidelidade inteiramente legíveis para máquinas. Declarações de sustentabilidade, por exemplo, precisarão vir acompanhadas de certificações digitais verificáveis por softwares, alterando a forma como marcas estruturam suas plataformas digitais e argumentos de venda.

Confiança e regulação na economia agêntica

O relatório da Mastercard enfatiza que a transição para o comércio agêntico depende diretamente de uma evolução na confiança dos consumidores. Enquanto as evoluções anteriores do comércio — do mercado físico ao e-commerce tradicional — exigiam que as pessoas confiassem em novos canais, a nova fase demanda a delegação da própria capacidade de compra a algoritmos.

Segundo a especialista Theodora Lau, instituições financeiras e estabelecimentos comerciais precisarão construir estruturas transparentes de identidade, consentimento, autorização e responsabilidade. A projeção aponta que pelo menos três reguladores do G20 deverão emitir orientações formais sobre o registro e o monitoramento de agentes de IA até 2030, tornando a intenção de pagamento um elemento tão crítico quanto a transação em si.

Primeiros testes práticos no Brasil

Embora o horizonte do estudo alcance o final da década, iniciativas associadas ao comércio agêntico já registram testes no ambiente real. Na América Latina e no Brasil, a Mastercard demonstrou operações do sistema Mastercard Agent Pay em conjunto com emissores e processadores locais, incluindo parceiros como Itaú, Santander e Dock.

As operações envolveram testes de ponta a ponta na rede da empresa para compras cotidianas, como itens de beleza e supermercado, iniciadas e concluídas por agentes de IA mediante consentimento prévio e autorização dos portadores dos cartões. O objetivo dessas demonstrações é validar a segurança, a transparência e o controle do usuário sobre as transações automatizadas.


Imagem Destaque: Lucrezia Carnelos/Unsplash



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