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45 dias depois... A minha opinião sobre o IdeaPad Slim 3x com Snapdragon X

Testamos o Lenovo IdeaPad Slim 3x por 45 dias. Veja como o Snapdragon X se sai no Windows, no Photoshop, no Affinity e no dia a dia.

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Durante décadas, comprar um computador com Windows significava escolher entre duas marcas de processador. Mesmo quem nunca acompanhou de perto o mercado de tecnologia provavelmente reconhece os nomes dos adesivos colados ao lado do teclado.

O Lenovo IdeaPad Slim 3x tenta mudar essa lógica. Ele utiliza o Snapdragon X, desenvolvido pela Qualcomm, empresa mais conhecida pelos chips presentes em smartphones.

É natural que essa escolha provoque desconfiança. Afinal, um processador de uma marca associada aos celulares consegue realmente dar conta de um notebook com Windows?

Depois de 45 dias usando o IdeaPad Slim 3x como máquina de trabalho, a resposta é positiva. O notebook se mostrou rápido nas atividades cotidianas, confortável para transportar e competente até mesmo em programas criativos, como Photoshop e Affinity.

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Isso não significa que a plataforma seja perfeita ou indicada para qualquer pessoa. A compatibilidade melhorou bastante, mas ainda exige atenção. A tela também limita o uso profissional em trabalhos que dependem de precisão de cores.

No entanto, o resultado é um notebook interessante não apenas pelo que entrega, mas pelo que representa para o futuro dos computadores com Windows.

Snapdragon X não é um processador de celular reaproveitado

A Qualcomm construiu sua reputação no mercado de dispositivos móveis, mas o Snapdragon X não é simplesmente um chip de celular colocado dentro de um notebook.

A linha foi desenvolvida especificamente para computadores. Sua proposta é combinar desempenho, menor consumo de energia (um ponto super importante em notebooks, não pela bateria; mas pelo desempenho) e recursos de inteligência artificial em uma plataforma capaz de disputar espaço com a concorrência e, indiretamente, com os chips utilizados pela Apple nos Macs.

A principal diferença está na arquitetura ARM. O nome pode parecer complicado, mas o conceito é relativamente simples: trata-se de uma forma diferente de projetar o processador, com foco em realizar tarefas de maneira eficiente e consumir menos energia.

Essa eficiência ajuda a explicar por que smartphones e tablets conseguem permanecer muitas horas longe da tomada sem precisar de sistemas de refrigeração enormes.

A Apple também apostou nessa arquitetura ao abandonar os processadores Intel e desenvolver sua própria família de chips. Qualcomm e Apple não utilizam o mesmo processador, mas trabalham sobre uma base semelhante.

No Windows, porém, a transição é mais delicada. O sistema carrega décadas de programas, acessórios e drivers criados originalmente para computadores Intel ou AMD. Por isso, a qualidade do processador é apenas uma parte da experiência. A outra parte é descobrir se tudo o que você usa consegue funcionar nele.

45 dias depois... A minha opinião sobre o IdeaPad Slim 3x com Snapdragon X

O modelo avaliado utiliza o Snapdragon X, acompanhado de 16 GB de memória RAM e armazenamento SSD de 512 GB. A tela tem 15,3 polegadas, resolução de 1920 por 1200 pixels (proporção 16:10) e pesa aproximadamente 1,55 kg. A tampa é construída em alumínio, enquanto a parte inferior utiliza plástico.

Não é uma configuração criada para disputar com estações de trabalho ou notebooks gamers. A proposta está mais próxima da produtividade cotidiana, mobilidade e autonomia de bateria.

Os 16 GB de memória são importantes nesse contexto. Eles oferecem espaço suficiente para manter navegador, documentos e programas criativos abertos sem transformar cada troca de janela em um exercício de paciência.

A melhor tecnologia é aquela que deixa de ser percebida

Na prática, porém, o melhor elogio ao conjunto é outro: depois de algum tempo, você deixa de pensar no processador. Antes de começar o teste, a presença do Snapdragon X era a principal curiosidade. Depois de alguns dias, ela perdeu importância.

O notebook passou a ser apenas o computador usado para abrir o navegador, responder mensagens, editar documentos, participar de reuniões e trabalhar com imagens. Essa normalidade é uma conquista importante.

As primeiras gerações de computadores Windows com ARM ficaram marcadas por incompatibilidades, lentidão e uma seleção limitada de programas. Era comum encontrar aplicativos que não abriam ou funcionavam de maneira claramente inferior.

No IdeaPad Slim 3x, a experiência foi muito mais próxima daquela oferecida por um notebook tradicional. Chrome, Microsoft 365, WhatsApp, Zoom, Spotify e outras ferramentas comuns deixaram de ser uma preocupação.

O computador também se mostrou leve o suficiente para ser transportado diariamente sem causar a sensação de carregar uma máquina grande demais. Ao mesmo tempo, a tela de 15,3 polegadas oferece espaço confortável para documentos, navegação e aplicativos com muitas ferramentas.

Não é o notebook mais fino ou potente do mercado. Seu mérito está em encontrar um equilíbrio razoável entre tamanho, mobilidade e desempenho.

Photoshop e Affinity funcionam no Snapdragon X?

Essa talvez seja a pergunta mais importante designers e profissionais criativos interessados no IdeaPad Slim 3x.

Durante os 45 dias de avaliação, Photoshop e Affinity funcionaram normalmente. Não houve a impressão de estar utilizando uma versão improvisada ou um programa incompatível com o computador.

Foi possível abrir arquivos, editar imagens, trabalhar com camadas e alternar entre os programas sem que o processador se tornasse um obstáculo constante.

Isso não transforma o notebook em uma estação gráfica. Projetos muito pesados, arquivos enormes, edição tridimensional ou fluxos complexos continuarão exigindo equipamentos mais potentes.

Para trabalhos criativos moderados, no entanto, o Snapdragon X se mostrou mais competente do que a reputação dos antigos computadores ARM poderia sugerir.

A Adobe vem ampliando o suporte ao Windows nessa arquitetura. Photoshop e Lightroom já possuem versões compatíveis, enquanto outros aplicativos da empresa também avançaram em direção ao suporte nativo.

Já o Affinity também funcionou de maneira consistente durante o período de uso. Muito mais leve e gratuito, este talvez seja o ideal para o modelo (e para quem quer deixar a Adobe no passado).

O ponto de atenção não está necessariamente nos programas principais, mas em tudo o que pode existir ao redor deles.

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Periféricos e plug-ins exigem atenção

Para profissionais criativos, verificar apenas o Photoshop ou o Affinity não é suficiente.

Mesas digitalizadoras, impressoras, placas de captura, interfaces de áudio, monitores especiais e outros acessórios podem depender de drivers próprios. Caso o fabricante não ofereça suporte ao Windows ARM, o equipamento pode perder funções ou não ser reconhecido.

Plug-ins também merecem cuidado. O programa principal pode ter uma versão nativa e funcionar normalmente, enquanto uma extensão antiga continua limitada à arquitetura tradicional.

Esse é um detalhe importante para quem construiu um fluxo de trabalho ao longo de muitos anos.

Para usuários que trabalham principalmente com navegador, documentos, videochamadas e aplicativos atualizados, a transição tende a ser tranquila. Para empresas com sistemas antigos ou profissionais dependentes de equipamentos específicos, a compra precisa ser precedida por alguma pesquisa.

A plataforma amadureceu, mas ainda não eliminou todos os riscos de compatibilidade.

A tela é o principal limite para profissionais de imagem

O Snapdragon X conseguiu executar Photoshop e Affinity, mas o processador não é o único componente importante em um trabalho criativo.

A tela de 15,3 polegadas utiliza proporção 16:10, um formato que oferece mais espaço vertical do que os painéis 16:9 tradicionais. Essa diferença ajuda na leitura, na edição de documentos e na organização das ferramentas dentro dos aplicativos.

A resolução de 1920 por 1200 pixels também é adequada para o tamanho do painel. O acabamento antirreflexo facilita o uso em ambientes iluminados, enquanto o brilho anunciado de 300 nits atende situações cotidianas.

A principal limitação está na reprodução de cores.

O painel cobre 45% do padrão NTSC, um resultado modesto para trabalhos que exigem fidelidade cromática. Isso não impede a edição de imagens, mas reduz a segurança na hora de avaliar tonalidades, contraste e aparência final de um projeto.

Para criar peças simples, ajustar imagens para redes sociais ou realizar trabalhos ocasionais, a tela pode ser suficiente.

Para tratamento fotográfico profissional, identidade visual, edição de vídeo ou materiais destinados à impressão, o mais recomendável é utilizar um monitor externo com cobertura de cores superior e calibração adequada.

Esse contraste resume bem o IdeaPad Slim 3x. O processador permite realizar tarefas criativas mais exigentes do que muitos poderiam imaginar, mas a tela mantém o notebook dentro de uma categoria mais acessível.

Ele esquenta (pouco), mas não compromete o uso

A eficiência energética é uma das principais promessas dos processadores ARM. Isso não significa que o notebook permaneça frio durante qualquer atividade.

Ao longo dos testes, o IdeaPad Slim 3x apresentou algum aquecimento em tarefas mais intensas. A temperatura ficou perceptível, especialmente durante o uso de aplicativos criativos, mas não chegou a impedir o trabalho.

Também não houve uma sequência de travamentos ou perda de desempenho capaz de comprometer a experiência com Photoshop e Affinity.

É importante ajustar as expectativas. Um processador eficiente ainda produz calor. Quanto maior a carga de trabalho, maior será a necessidade de administrar a temperatura dos componentes internos.

O resultado observado foi compatível com a proposta da máquina. Ela consegue realizar tarefas mais exigentes quando necessário, mas não foi projetada para permanecer durante horas em renderizações pesadas, jogos avançados ou projetos complexos.

Inteligência artificial ainda não é o melhor argumento de compra

O IdeaPad Slim 3x faz parte da categoria Copilot+ PC. Para receber essa classificação, o computador precisa contar com uma unidade dedicada a tarefas de inteligência artificial, conhecida como NPU.

No Snapdragon X, essa NPU alcança 45 TOPS. A sigla representa a capacidade de realizar trilhões de operações por segundo, mas o número isolado diz pouco para a maioria das pessoas.

Na prática, a NPU funciona como uma área especializada do processador. Enquanto a CPU cuida das tarefas gerais e a GPU trabalha com elementos gráficos, a NPU assume operações relacionadas à inteligência artificial.

Isso permite executar determinados recursos diretamente no computador, com menor dependência de servidores externos e consumo de energia mais controlado.

Entre as possibilidades estão melhorias em videochamadas, geração de imagens, tradução de legendas e funções de pesquisa. Ainda assim, a inteligência artificial não deveria ser a principal razão para comprar o IdeaPad Slim 3x.

Muitos recursos continuam em desenvolvimento, dependem de atualizações do Windows ou ainda não transformam profundamente o uso diário. A NPU funciona mais como uma preparação para os próximos anos do que como uma revolução imediata.

Para quem o IdeaPad Slim 3x faz sentido?

O notebook da Lenovo é uma opção interessante para estudantes, redatores, profissionais de escritório, gestores, usuários móveis e criativos que trabalham principalmente com aplicativos atualizados.

Ele também pode atender quem deseja uma tela maior sem carregar um computador excessivamente pesado.

Photoshop e Affinity funcionaram bem durante o teste, o que amplia o público potencial. Ainda assim, profissionais de imagem devem considerar a limitação de cores do painel e a possível necessidade de um monitor externo.

Agora, se você está pensando em jogar nele, o modelo exige mais cautela de gamers. Além disso, empresas dependentes de sistemas antigos e profissionais que utilizam periféricos, drivers ou plug-ins muito específicos.

Nesses casos, pesquisar a compatibilidade antes da compra não é exagero. É parte essencial da decisão.

Vale a pena comprar?

O Lenovo IdeaPad Slim 3x é mais interessante quando analisado como um conjunto do que como uma lista de especificações.

O Snapdragon X consegue oferecer uma experiência cotidiana consistente, executar os principais aplicativos de produtividade e lidar com ferramentas criativas sem transformar a arquitetura ARM em um problema.

As principais ressalvas estão na tela com reprodução limitada de cores e na compatibilidade com softwares antigos, jogos, plug-ins e periféricos específicos.

Não é um computador universal. Também não é a escolha indicada para quem busca desempenho máximo em jogos, renderizações ou produção audiovisual pesada.

Para produtividade, mobilidade e trabalho criativo moderado, porém, o IdeaPad Slim 3x mostra que os notebooks Windows com processadores Qualcomm finalmente deixaram de ser apenas uma curiosidade.

O Snapdragon X é o protagonista desta história, mas sua maior qualidade aparece justamente quando ele sai de cena. Depois de alguns dias, você deixa de pensar que está usando um processador diferente.

Ele simplesmente funciona!



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