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Construa pontes e não muros – A ficus elastica e os indianos

por Stuart

Construa pontes e não muros. Uma comunidade chamada Nongriat em Meghalaya, na Índia, tem essa filosofia a mais de 500 anos e deu muito certo. Não são simplesmente pontes. São pontes vivas.

Na região de Cherrapunji há mais de 15 metros de precipitação anual e com isso, certamente há muitas inundações, aumentando o fluxo dos rios. Por consequência, poucas pontes de madeira ou aço suportariam o poder destrutivo desses rios. O transporte muitas vezes é feito através dos rios e quando ele volta a sua quietude, não há mais pontes, mas mesmo assim é necessário pescar, lavar roupa, ir de uma comunidade a outra. A pergunta que fica no ar é: como fazer isso?

Os moradores locais tem a resposta através de uma espécie de seringueira, a “ficus elastica”, que do alto do seu tronco, descem raízes secundárias que crescem em grande profusão, formando assim as pontes vivas. As tribos antigas perceberam que podiam usar essas raízes para criar passagens sobre a água, centenas de anos atrás, usando troncos ocos para guiar o crescimento dessas raízes. Uma vez que as raízes vão de encontro à margem vizinha, elas não param de crescer e se fortalecer.

Leva de 10 a 15 anos pra que uma ponte se forme e depois de pronta, os moradores adaptam pra melhor uso, mas ela pode suportar até 50 pessoas por vez. Esse conhecimento arboricultural é passado dos mais velhos para os mais jovens por gerações e gerações e que continuam o trabalho.

As pontes são tão incríveis, que ganharam destaque na série “Planeta Humano“, da Discovery. Para ser mais exato, no episódio 7 da série, trecho que você confere abaixo. Muito mais que uma ideia criativa, as pontes naturais são um belo exemplo de que o homem pode viver muito bem em harmonia com o meio ambiente.


Stuart é ilustrador e designer. Gosta de ler histórias de terror, ficção científica e livros de crianças, além de escrever e ilustrar suas próprias histórias. Atualmente trabalhar no C.E.S.A.R como designer para empresas como Motorola e Samsung

Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino" - Fernando Sabino


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