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Leo Burnett e o #HumanizaRedes: Não foi plágio, foi preguiça

por Victor Vasques

Dificilmente falo sobre política no Com limão. Quem é leitor antigo sabe que já tivemos alguns textos falando sobre os problemas entre palestinos e israelenses, mas isso foi há muito tempo.

No entanto, uma onda de ciberativismo inundou nossa internet tupiniquim e é difícil ficar neutro quanto a isso. Qualquer comentário feito nas redes sociais já viram um embate entre time A e time B. Mas, é claro, não vou falar qual a minha posição sobre impeachment, mas sobre a chegada da Operação Lava Jato às agências de publicidades e o bom (e respeitoso) uso do dinheiro público.

Caso #1: Borghi/Lowe e produtoras

Quem trabalha na área sabe que a Borghi/Lowe não é uma agência pequena. Vencedora de prêmios internacionais, ela e mais seis produtoras são suspeitas de pagarem propinas para o ex-deputado André Vargas. Durante os últimos seis anos, a agência manteve contrato com a Caixa Econômica e o Ministério da Saúde.

Caso se confirme a acusação, será uma vergonha para o mercado publicitário ter uma agência desse porte envolvido em esquemas tão obscuros. Como o caso ainda segue em investigação, prefiro me abster de comentários mais aprofundados e prometo discutir mais sobre isso no futuro.

Caso #2: Leo Burnett e o #HumanizaRedes

Neste caso podemos ir mais a fundo. Isso porque o caso não envolve corrupção (até onde se sabe), mas preguiça.

Segundo o portal Transparência, da Controladoria Geral da União, em 20/01/2015 foi pago à agência Leo Burnett Publicidade LTDA., a quantia de R$ 300 mil pela: prestação de serviço de publicidade, compreendendo o conjunto de atividades realizadas integramente que tenham como objetivo o estudo, o planejamento, a conceituação, a concepção, a criação, execução interna, intermediação e a supervisão da execução externa e a distribuição de publicidade de competência da Secom aos veículos e demais meios de divulgação.

Esse generoso valor inclui o desenvolvimento da marca #HumanizaRedes. Segundo o site do projeto, “a logomarca (sic) do Humaniza Redes – Compartilhe o Respeito foi desenvolvida pela agência Leo Burnett Tailor Made, responsável pela conta da Secom, conforme apontado no Portal da Transparência. A agência Leo Burnett ganhou licitação para prestar diversos tipos de serviços ao governo federal. O valor do serviço é equivalente ao contrato todo e não somente para a criação de um logotipo. O Humaniza Redes esclarece que não há plágio, visto que a imagem é encontrada como royalties free, no banco público Getty Images”.

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Ok, entendo bem… mas usar uma imagem royalties free como logotipo? Qualquer criativo no segundo ano de faculdade consegue fazer duas digitais.

Vamos dizer que apenas 10% dos 300 mil reais foi para o desenvolvimento do logo, ou seja, 30 mil reais. Se calcularmos que a imagem em alta – segundo o link divulgado pelo site do #HumanizaRede – custa US$ 699 (aproximadamente R$ 2180,00), a agência faturou mais de 27 mil reais limpo! LIMPO! Sem nenhuma necessidade de trabalho.

Leo Burnett, 27 mil reais para “criar” uma marca com um símbolo já feito em um banco de imagens é uma grande piada.

Não estou dizendo que a agência fez algo ilegal ou errado, mas eu – como criativo – teria vergonha de dizer que fiz isso. Teria contratado um estagiário, pago três mil reais e feito um trabalho justo. Justo do ponto de vista criativo. Justo com o valor pago dos cofres públicos. Justo com o nome e a história do americano Leo Burnett.

Concordo que não foi plágio, afinal, a imagem está lá para ser comprada e usada, MAS… você acha isso digno da sua história? Dos profissionais que trabalham para você e que não estavam envolvidos neste projeto?

No final da história, não foi plágio, foi preguiça. E você, eles e eu pagamos por essa preguiça com dinheiro de impostos.


Victor Vasques é designer, editor chefe do Com limão e sócio proprietário da Citrus Consultoria. Como gestor de marcas e criativo, já atuou com grandes marcas, como Discovery, UOL, iG, Globo.com e VEJA.

Eu irei lhe fazer uma proposta que você não poderá recusar - Don Vito


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9 Responses to Leo Burnett e o #HumanizaRedes: Não foi plágio, foi preguiça

  1. Paulo says:

    Engracado que isso aconteça em grandes agências, e os designers ainda reclamam de sites como o We Do Logos…

  2. José says:

    A questão é, além de não haver um processo criativo relevante (já que se usou um símbolo pronto), não é permitido utilizar imagens e vetores de bancos de imagem para logotipo. O Getty e o Shutter, ao menos, possuem esta limitação na licença de uso royalty free.

    É por isso que agências de publicidade têm que fazer publicidade, e escritórios de design têm que fazer design.

  3. Paulo says:

    Esse envolvimento da Borghi/Lowe com a corrupção é o que pode-se chamar de um “Case ” de polícia.

  4. Paulo says:

    Tsc, tsc, tsc
    A campanha da Leo Burnett pede para compartilhar o respeito, mas foi criada sem nenhum respeito à verba do cliente e do povo brasileiro, que também pagou pela ação.

  5. Gente, é simplesmente ridículo esses comentários. Devia ser chamar “Com sabão” e na língua. Comecei a ler e não sei se estou com vergonha pelo Victor Vasques.
    Cara, sinceramente, deve ter milhares de pessoas que entendem o mínimo de Orçamento Público, até aquele “estagiário” que você contrataria, que estão rolando no chão de tanto sorrir dessas asneira que você falou.
    É uma idiotice tão grande, TÃO GRANDE, que nem consegui ler o conteúdo todo.

    Percebe-se que de orçamento você não entende nada. Quando for escrever sobre isso, consulte o seu estagiário!

    Só uma dica.

    • Com limão says:

      Caro Estagiário Envergonhado (cujo o e-mail é fake e o IP é de origem do presidencia.gov.br),

      Sinceramente não entendemos sua colocação, se nós – não apenas o Victor, mas também os leitores que concordaram com o texto – não entendem o mínimo de orçamento público, porque não nos explica melhor esse números?

      Se tivesse lido o texto inteiro, teria entendido onde queremos chegar.

      Abraços,
      Estagiário Sem Vergonha

      • Eu devia ter explicado, mas aí ninguém teria interesse em pesquisar e entender um pouco mais sobre orçamento público. Quem sabe isso serve de incentivo!

        Mas sério, não resisti e comentei. Porque é muito sem sentido!

        Com vergonha

      • Cara, sou leitor e gosto do “Com limão”. Use meu e-mail para tirar umas dúvidas relacionadas à Orçamento. Sou contador!

        Daí quando for publicar alguma coisa relacionada à contabilidade pública, mande-me um e-mail e passo uma explicação rápida sobre o assunto.

        No mais, gosto dos seus comentários, mas essa doeu!

        Absss

      • Luan says:

        Mano, o cara não tem nem vergonha de usar a rede do governo pra defender a farra com o dinheiro público… E ainda tenta legitimar fazendo o uso do clássico discurso: “vocês falaram bobagem, estão todos rindo de vocês, vocês estão errados, mas não vou dizer o porquê”.

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