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Criação de pastelaria: Qualidade de vida e aprendendo a dizer NÃO!

por Victor Vasques

Desde os tempos de faculdade, falo que existem dois tipos de design: o bem feito e a pastelaria. Nas últimas semanas, tenho pensado mais profundamente nos impactos que o método “criação rápida” tem gerado no mercado. Só nos últimos meses, escrevi dois textos aqui no Com limão, sobre trabalhos que foram resultados desta ânsia do mercado.

É tudo para ontem, tudo BBB (bom, bonito e barato), tudo feito às pressas, as metodologias de criação foram por água a baixo. Não se pesquisa mais, não se estuda o cliente ou o mercado, todas os dados parecem saírem de um kit pré-pronto de análise SWOT. Parece bolo pronto. O que importa é estar na rua. E isso não sou eu falando, outro dia, em uma conversa com um cara considerado um dos experts em empreendedorismo, escutei que “plano de negócios não vale nada… é apenas um monte de insights em uma folha”. Oras, se não acreditamos em planos de negócios, a metodologia foi pra PQP, então porque gastamos horas e horas em faculdade, MBAs e outros tantos cursos? Será que a academia está tão longe da realidade ou a realidade que enlouqueceu.

Agência ou cliente? Não importa. Qualidade de vida pra quê?!

Nestes 11 anos de carreira, já passei por agências grandes, agências pequenas, clientes multinacionais e posso dizer com convicção, a qualidade de vida foi parar em algum canto remoto do Nepal. Sabe aquela empresa que oferece frutinha cortada, mesa de sinuca e horário flexível? FUJA! Trabalho é trabalho e você é um custo para empresa. O dia que a conta lucro vs. custos não fechar, você pode ser o corte necessário. Não estou falando isso com raiva, pelo contrário, it’s business. Sejamos apenas realistas. Afinal, vamos quebrar a empresa só porque o João não pode perder o emprego dele?

Se trabalho é trabalho, então qual a necessidade da mesa de sinuca? Decoração. Somos descolados. “Aqui fica a mesa de sinuca e aquela parede colorida é a criação. Agora senta ali, porque temos um job/relatório urgente para entregar. ”

Parece caricato, mas é a realidade. Na minha carreira, sempre fui muito intenso. Sempre vesti a camisa da empresa e não a tirei nem para dormir. Com quase 30 anos, isso me rendeu 2 crises de stress, oscilações na pressão arterial e muito reconhecimento no mercado. Amo vocês, ex-chefes! Sei que a culpa não foi de vocês e muitos foram para o mesmo caminho. Hoje, aprendi a valorizar muito mais minha saúde, minha vida pessoal, me valorizar. Mas as contas não param! Então como equilibrar a “criação drive thru” com a qualidade de vida?

Precisamos aprender a dizer NÃO em uníssonos

Sei que parece uma utopia, afinal, se você não fizer, o outro vai fazer. Mas pense, é essa vida que você quer levar? Talvez só precisemos de uma cartase coletiva e tudo volta ao normal, mas pense que o seu estilo de vida pode ser um barril de pólvora sendo pressionado. Um dia ele pode explodir (ou não!).

Disciplina para o “não”: uma tarefa árdua

Só porque eu disse que temos que dizer “não”, não quer dizer que vamos sair falando não para tudo. A vida é feita de oportunidades. Se aquela ideia genial vai ficar travada por causa do plano de negócios, então… #PartiuMãoNaMassa

Aquela campanha genial não pode perder o timming de algo do cotidiano? #PartiuCriação

Agora, aquela campanha ou projeto, ficou parado por dois meses, devido a uma pilha de burocracia e aprovação e agora, às 16h da sexta-feira, o cliente avisa que quer uma proposta para segunda de manhã, então #PraPQPEsseJobDoTinhoso

Você dizendo sim ou não, no fim, a culpa sempre será da criação. Então sente, relaxe e aproveite o fim de semana. Concordou com o texto? Tem coisas à acrescentar? Então deixe o seu comentário logo abaixo.

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Tirinha “1535 – Departamento de criação”, do Um Sábado Qualquer


Victor Vasques é designer, editor chefe do Com limão e sócio proprietário da Citrus Consultoria. Como gestor de marcas e criativo, já atuou com grandes marcas, como Discovery, UOL, iG, Globo.com e VEJA.

Eu irei lhe fazer uma proposta que você não poderá recusar - Don Vito


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