veto-regulamentacao-profissao-designer-com-limao

Compartilhe:   

Entenda por que a regulamentação do designer foi vetada

por Victor Vasques

Finalmente o projeto para regulamentação da profissão de designer chegou ao Planalto e foi… vetado. Espera aí, como assim!? Vamos pegar tochas e marchar até Brasília. Não, meus amigos, isso não será preciso. Vou tentar (em poucas palavras) explicar os motivos do veto. Lembrando que não estamos querendo defender ninguém, apenas estamos olhando o caso sob uma ótica analítica. Como não somos advogados, fomos consultar alguns e resumimos o caso abaixo. Confira!

De acordo com o site G1: “Segundo o texto, foram ouvidos Ministérios da Justiça, da Fazenda, do Planejamento, Orçamento e Gestão, do Trabalho e Previdência Social, da Educação e a Advocacia-Geral da União e todos manifestaram-se pelo veto porque a ‘Constituição, em seu art. 5o, inciso XIII, assegura o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, cabendo a imposição de restrições apenas quando houver a possibilidade de ocorrer dano à sociedade’”.

Isso quer dizer que o exercício “indevido” da nossa profissão, não trará nenhum problema à sociedade. Brincadeiras à parte (sim, eu sei que você pensou em várias piadas), isso é verdade…. Se olharmos sob um ponto de vista simplista.

A criação errada de um logo gerará nenhum dano, a não ser para o dono da “marca”. Mas se pensarmos em uma embalagem? Será que uma embalagem errada não pode gerar problemas para a sociedade? O questionamento é muito subjetivo, mas também exige um amadurecimento para discussão.

Confesso que era um ávido defensor da regulamentação. Sempre com a justificativa que isso traria amadurecimento para o mercado e tudo mais, mas a grande verdade é que isso não vai acontecer.

O amadurecimento virá do mercado

Designers formados, sobrinhos e autodidatas. Não importa qual categoria você se encaixe, a verdade é que existe espaço para todos. De nada adianta “brigarmos” por uma regulamentação, se nem o nosso mercado consegue amadurecimento o suficiente para se auto regulamentar.

Prefiro imaginar que cheguei a um nível de maturidade profissional (e mental) que não vê o próximo como um “inimigo”, mas como um colega de profissão. Uma concorrência sadia.

Outros projetos…

Se mesmo assim, você ainda é defensor assíduo da regulamentação, fique tranquilo. Existem outros projetos em trâmite e, quem sabe, algum será aprovado.


Victor Vasques é designer, editor chefe do Com limão e sócio proprietário da Citrus. Worklover assumido, já atuou com grandes marcas, como Discovery, UOL, iG e Itaú.

Eu irei lhe fazer uma proposta que você não poderá recusar - Don Vito


28

28 Responses to Entenda por que a regulamentação do designer foi vetada

  1. luiz says:

    …belas palavras, concordo! Mas a regulamentaçao acho que seria bem vinda sim… Haaa uma pergunta: independente da regulamentaçao, uma pessoa pode estar registrada em carteira como designer grafico por ex? Abrç

  2. Pingback: Dilma veta projeto de regulamentação da Profissão de Designer | Design Culture

  3. Luiz Pryzant says:

    O risco para a sociedade é o uso do talento de designers para campanhas de políticos safados!

  4. Artur Tavares says:

    Eu realmente não acredito que alguma empresa iria contratar um “micreiro” para trabalhar em design de produto. Como alguns disseram, as empresas que precisam amadurecer para que julguem se devem colocar um trabalho nas mãos de um zé mané ou de alguém qualificado. Resumindo, empresas que contratam micreiros não são boas empresas para se trabalhar com.

  5. Claudio Maia says:

    Segue o link do Ministério do Trabalho e Emprego onde poderemos encontrar a lista das profissões regulamentadas no Brasil.
    http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/regulamentacao.jsf#d
    Para quem acha que a profissão de Designer não deva ser regulamentada, colem o endereço acima em seu browser e tirem suas próprias conclusões.
    Abraços.

    • Jonathan says:

      parei de ler a lista de profissões regulamentada quando chegou em repentista, aff, realmente se o cara não fizer um bom repente isso vai causar um dano irreversível pra sociedade!

  6. Marcelix says:

    Amigo
    Verifique como foi a regulamentação da profissão de jornalista e entenderá que este assunto ja foi amplamente discutido.
    O caminho é sim o da regulamentação.
    Independente do jornalista nao causar nenhum dano à sociedade (na minha opinião há controvérsias,hehe), o caminho sem volta foi o da regulamentação, com vasto tempo e oportunidade para os técnicos, cinegrafistas, etc, com décadas de profissão se aposentassem ou fizessem um curso, ou comprovassem tantos anos na profissão.
    O caminho para a regulamentação da profissão de designer será o mesmo e agora foi travado pelo nosso governo incompPTente.

  7. Pingback: Criative DG | Blog de Design, Publicidade e Comunicação

  8. DayKazuh says:

    Desculpe Victor, porém n concordo com você…sem uma regulamentação não temos um piso salarial…o salário acaba sendo de acordo com a empresa. Eu mesma trabalho em uma como designer e conversando com alguns colegas novos, pq sou nova na área, falam que ganho relativamente bem como meu primeiro primeiro local de emprego como designer, mas antes disso eu andei indo em algumas entrevistas e nossa era gritante as diferenças de salário, algumas agências pagavam R$ 1.200,00 outras R$ 1.500,00 2.000,00 até mesmo 900,00…isso depende da empresa…mas como uma pessoa pode ganhar apenas 1500,00 reais depois de anos estudando??!…Se colocarmos na ponta do lápis, nós pagamos para trabalhar, mas muitos falam, ” – ah! Você pode fazer uns freelas por fora…”, mas como? Como iniciante e honestamente meu portfólio é bom, mas não sei como encontrar clientes que realmente valorizem o trabalho. Muitos reclamam de pagar sei lá 300,00 em uma marca…preferem ir em um birô ou logovia da vida….enfim…O que eu quero dizer que regulamentados…teríamos nosso valor verdadeiro, muitas pessoas confundem design com apenas criatividade e talento, estava agora mesmo vendo uma discussão de uma mulher dizendo q ela achava um absurdo regulamentação, pq criatividade e talento não se ensina…resumindo ela acha q para ser designer vc precisa apenas saber desenhar…e você realmente sabe q não é só isso. Pois bem, fiquei muito triste com o resultado disso tudo…e sinceramente o Brasil vai demorar muito para valorizar a área criativa em geral.
    Abraços.

  9. Barbara says:

    O uso indevido da profissão de artesão pode gerar problemas para a sociedade então?
    A regulamentação traria benefícios como talvez um piso salarial e agregação de valor ao nosso trabalho visto que, a maioria dos brasileiros não têm noção do que é design, até mesmos alguns caros colegas que parecem mais micreiros do que designers.

  10. Barbara says:

    Isso pra mim é caso de vies político. Artesão na maioria é pobre e dá voto pra Dilma. Designer é “burguês” e “burguês não vota na Dilma”…

  11. Mau santos says:

    Algum designer gráfico já participou de alguma licitação para criação de material ( publicações) para algum órgão público? Me diga please…

    • Ana Freire says:

      Nao! E sabe o motivo? Nao podem emitir ART como fazem os arquitetos e engenheiros, porriso nao podem participar de licitacao ou de cotacao em empresas privadas! A regulamentacao possibilitaria isso e muito mais. Como acionar um design por um produto mal feito se ele nao tem um orgao de classe que discipline sua conduta profissional e lhe aplique penas disciplinares?

  12. Davi says:

    Olá meu caro, não concordo com tua explanação, principalmente quando você reforça que o “exercício ‘indevido’ da nossa profissão, não trará nenhum problema à sociedade”. Sou graduado em design e o foco do meu trabalho e na área de produto, poderia te citar inúmeros produtos, que se fossem projetados erroneamente trariam sim diversos inconvenientes a sociedade. Usamos o exemplo de quem projeta uma bicicleta, uma bicicleta mal projetada traria não menos que dores musculares, até problemas mais graves em diversas regiões da coluna cervical. Só pra ilustrar.

  13. Rodrigo says:

    Eu acho que a regulamentação é mais defendida por designers com diploma e sem nenhum talento com medo dos designers sem diploma e com muito talento.

    Sou contra a regulamentação das profissões criativas, mesmo sendo formado. Todos os trabalhos que geram riscos a sociedade, como o design de embalagem por exemplo, devem seguir as normas definidas pelos órgãos responsáveis.

    O mesmo aconteceu com a publicidade, como vocês poderiam proibir o Washington Olivetto de exercer a profissão? Ele não é formado, mas até hoje é o responsável por campanhas memoráveis. E aí?

    • Com limão says:

      Rodrigo,

      Na verdade, o Victor (autor do texto) é graduado e pós-graduado :)
      Acreditamos que a regulamentação é defendida por designers que desconhecem o projeto como um todo. Sem dizer que temos vários outros “problemas” para resolver, antes de ser regulamentado.

      Obrigado pelo comentário! Ótimo ponto sobre o Olivetto.

      • Ana Freire says:

        Mas nao responde uma questao que foi muito bem colocada num comentario acima: nao ha designer participando de licitacao. Motivo: mao podem emitir ART como arquitetos podem fazer por exemplo. Aborde isso tambem em seus comentarios, por favor!

      • Adriano Vital says:

        “De nada adianta “brigarmos” por uma regulamentação, se nem o nosso mercado consegue amadurecimento o suficiente para se auto regulamentar.”

        Eu entendo esse ponto de vista e concordo, e seria uma ÓTIMA PAUTA falar sobre esse tal ‘amadurecimento’.

        Como se daria isso? Será que a regulamentação não seria um passo?
        Eu compreendo o veto parcialmente, pois acho que ele aconteceu por um problema que ainda não olhamos com atenção, A DESMISTIFICAÇÃO DO QUE É DESIGN.

        Enquanto a sociedade e leigos não souberem o que somos, o que fazemos e porque fazemos, qualquer projeto de regulamentação – que ao meu ver tem certas falhas – será vetado.

        Sou Designer Gráfico, e estou olhando todos os lados para que aja ESCLARECIMENTOS para ambas as partes, que é o que esta faltando.

    • Marcio says:

      Amigo, acho que você está equivocado. A regulamentação não impediria um designer sem diploma de exercer a profissão. Bastaria comprovar o exercício da profissão nos últimos cinco anos e isto seria fácil, mesmo com um portfólio medíocre… O Washington Olivetto do seu exemplo continuaria sendo publicitário assim como os irmãos Campana – que não tem formação em design – continuariam sendo designers famosos é muito criativos. Todos sabemos que o MERCADO é o maior filtro e que nele há espaço para todos. No entanto, inúmeras situações contam contra gente criativa e competente, Designers de verdade, hoje formandos ou não, e que poderiam, no meu humilde ponto de vista, ser melhor revistas a partir da regulamentação. Abraço!

    • Felipe says:

      Que absurdo cara, não existe talento no design e sim dedicação. Nenhum micreiro terá respaldo educacional como um profissional graduado, micreiros muitas vezes não sabem nem o que é Gestalt, ergonomia ou semiótica, coisas básicas para o design. Não há comparação, quem defende a regulamentação exige reconhecimento e respeito e não algum medo de não ser bem qualificado, até porque o que decide quem ocupará uma vaga é portfólio e não instituição de ensino.

  14. Evaldo says:

    Na minha empresa, acredite, tem muitos “sobrinhos” que tem mais criatividade e capacidade de criação que muitas pessoas formada em design e afins que parece só ter o diploma mesmo, nem o conceitual básico possuem. Falar o que, se muitos vão para a faculdade e acabam ficando pelos barzinhos.

  15. Pet Reis says:

    Se é desta forma, então eu quero atuar como médica, porque já sei muita coisa
    de medicina! Se é assim não precisamos mais estudar, gastar tempo, fazer mestrado , doutorado,
    porque qualquer um pode ser auto didata e atuar no mercado!
    A verdade é que a qualificação é necessária e não podemos abrir mão disto!
    Se alguém quer trabalhar interferindo em espaço edificado ou não, isto é arquitetura. Se quer trabalhar com design gráfico, de mobiliário, de objeto, de produto, é a universidade de design de produto!

  16. Daniel Ferrari says:

    Ok Victor…. “A Constituição, em seu art. 5o, inciso XIII, assegura o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, cabendo a imposição de restrições apenas quando houver a possibilidade de ocorrer dano à sociedade’”

    A PROFISSÃO DE DESIGNER DE INTERIORES FOI APROVADA, SÓ FALTA A APROVAÇÃO DO PRESIDENTE… E AI? Um móvel diferenciado, uma paginação de piso inadequada, uma cor de parede inapropriada, causa dano a sociedade???

    Temos que começarmos a nos mexer, caso contrario nossa profissão entrará em extinção.

    Ja tenho conhecimento sobre cursos de engenharia que estão inserindo disciplinas que costumeiramente pertenciam exclusivamente ao curso de Design de Produto, ou seja, uma classe que não é unida e descompromissado com nossos direitos tende a desaparecer.

  17. Flávio Silva says:

    Vocês fedem a medo. Pior que isso… vocês tem medo de pessoas que tem menos graduação que vocês. Se vocês são realmente formados, deveriam se especializar mais e mais na sua profissão. E não ficar postando comentários que impedem outras pessoas menos favorecidas a escolherem o emprego que querem. A informática possibilita isso. Enquanto vocês perdem tempo, escrevendo sobre o que pensam se Dilma está ou não está errada, eu ganho dinheiro cativando clientes com meu trabalho, adquirindo mais experiência em gerenciamento de cores, e elaborando novas formas de transformar idéias em produto final. Faculdade não te dá a “manha” da profissão, ou o “pulo-do-gato”. A experiência, o dia a dia em ficar rachando a cabeça é que vai realmente te transformar em um excelente profissional, seja graduado ou não.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>


Voltar para o topo ↑