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Pina_: F/Nazca erra na nova identidade da Pinacoteca de SP

por Victor Vasques

Ontem (25/01), a cidade de São Paulo completou 462 anos. Quem já nos acompanha no Instagram, viu que fizemos uma edição especial do #Drops08 por lá. Pois bem, entre as comemorações, a Pinacoteca de São Paulo, orgulhosamente, apresentou a nova identidade visual. Mas antes de falarmos sobre a nova “Pina_”, preciso explicar um pouquinho sobre branding.

Branding não é campanha publicitária

Sou da opinião que o maior erro de terminologia e filosofia dentro de organogramas institucionais é o “diretor de marketing”. O marketing é apenas a ponta do iceberg. São várias ferramentas e metodologias para aumentar as vendas ou, segundo o dicionário Michaelis, “conjunto de operações que envolvem a vida do produto, desde a planificação de sua produção até o momento em que é adquirido pelo consumidor”.

Já o branding vai além. O branding é um tipo de pensamento estratégico. É olhar a marca e ver muito além do logotipo. Um dos “exercícios”, aplicado por quem trabalha com gestão de marcas, é transformar aquela marca em uma pessoa. Como ela seria, como se vestiria, quais seriam os seus gostos pessoais se a dita marca fosse uma pessoa? Isso, com certeza, não foi feito com a nova marca da Pinacoteca do Estado de SP.

Pina_: A Era da modinha do “internetês”

Vamos começar pela maior polêmica, segundo a internet: o plágio da identidade visual do Porto. De acordo com diversos comentaristas do Facebook, a nova identidade visual da Pinacoteca foi copiada da cidade do Porto. Meus amigos, pictograma em outline não é o coelho da cartola. Basta dar uma olhada neste resultado de busca do Dribble (link aqui). Acusar a F/Nazca Saatchi & Saatchi São Paulo de plágio é a mesma coisa que acusar a placa de “Pare” de ter usado o vermelho da Coca Cola. Enfim, a galera adora uma boa polêmica!

pinacoteca-nova-identidade-visual-logo-branding-com-limao-02

Segundo ponto, a marca custou milhões? Não! Segundo a Pinacoteca, a F/Nazca trabalha no regime de pró-bono, ou seja, quando você presta um serviço de forma voluntariada. Isso mesmo, a nova identidade saiu na faixa. Desculpa, pessoal. Acabei com mais uma polêmica de vocês. Pessoal do PT e PSDB, podem guardar as bandeiras e os xingamentos.

Mas vocês querem polêmica, eu sei! Então vamos lá. O maior erro da nova marca está… na marca. E, como diria Jack, o Estripador, vamos por partes:

  1. Quem já ouviu alguém chamar a Pinacoteca de Pina? Nem eu, que sou um cara de humanas, chamo a Pinacoteca de Pina. Ela não é minha tia distante e nem minha vizinha. Estamos falando de uma associação fundada em 1905 e com um acervo respeitado. Seria como chamar, nas suas devidas proporções, o Louvre de Lou. Espera aí, vou ali na Pina e depois vou visitar o Lou. NÃO!!!
  2. “Oficializamos o jeito mais carinhoso de falar do museu”. Desculpa, Pinacoteca, isso não é justificativa para mudar uma marca. Muito menos comprimir um termo/marca/nome.
  3. O que é esse underline?! Ok, entendo que a ideia do Pina_ foi aproximar a galera jovem e tudo mais, mas usar o underline não! Pegaram uma modinha da internet e aplicaram em uma marca, para dar um ar mais jovem!? E se a moda fosse, com o perdão da palavra, colocar caralhinhos voadores, eles iriam colocar um membro fálico na marca? Ou vão mudar o logo na próxima modinha e nunca construirão uma identidade.

Em resumo, acertaram no pictograma, erraram no exagero hipster. É uma pena! Já que estão trabalhando em regime pró-bono, por que não fizeram um trabalho tão animal, mas tão bem feito, que servisse como case? Preferiram ir pela simplicidade pobre e feita às pressas. Só para completar a minha crítica, fiz uma pequena montagem rápida, para mostrar como a marca poderia ficar clássica e lúdica.

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Ah, ia me esquecendo, como cereja do bolo, a nova “identidade” está tão bem trabalhada, que quando você entra no site, é possível encontrar quatro diferentes tipografias. Sdds Pina de raiz, Pina moleque… a Pina clássica. Se vocês gostam tanto de modinhas da internet, aqui vai mais uma. #Ficaadica

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Victor Vasques é designer, editor chefe do Com limão e sócio proprietário da Citrus Consultoria. Como gestor de marcas e criativo, já atuou com grandes marcas, como Discovery, UOL, iG, Globo.com e VEJA.

Eu irei lhe fazer uma proposta que você não poderá recusar - Don Vito


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11 Responses to Pina_: F/Nazca erra na nova identidade da Pinacoteca de SP

  1. Tatiana says:

    Achei curioso o seu primeiro argumento porque um bocado de gente (inclusive ou talvez “principalmente” da área de museus) já chama a Pinacoteca de Pina há um bom tempo… imagino que isso deva ter aparecido na “pesquisa de branding” e por isso a aposta.

  2. Substituiu-se um nome consolidado por Pina, que francamente, em nada exprime o peso, a beleza e a importancia dedta instituição. Pina remete ao irmao casula, coitadinho e mimado, reduzindo o papel da Pinacoteca.
    Da mesma forma concordo com os que disseram nunca terem ouvido alguem se refrrir ao museu por Pina, e olha que frequento bem o local.
    Outro ponto é o aspecto rebuscado atribuido à marca. Me remete aos desacertos classicos, ou neoclassicos, aplicados aos empreendimentos imobiliarios que pretendem tradiçao. E nao tem. Nao da. Mais parece um jogo dos 7 erros. Pena. Ramos de Azevedo e Mendes da Rocha também não merecem.

    • Francisco Lelis says:

      Do jogo dos 7 erros mencionado, achei um: o irmão menor da família é caçula e não casula, que na leitura seria caZula, certo? Estes corretores da Internet!

  3. olázes

    a questão da marca e do branding foi muito bem explicado. o problema é que se quer criar um “hype” em torno da marca para promove-la. ninguém conhece a pinacoteca por pina e muito menos por pina_.
    carlos perrone já havia feito um bom trabalho. custava atualizá-lo. este é um processo normal da marca. como pessoas as marcas envelhecem. as vezes precisamos de apenas uma camisa nova. mas ninguém parece querer levar a sério uma coisa chamada gestão de marca, que poderia ter feito uma passagem gradual da marca, sem uma polemica desnecessária.

  4. Concordo plenamente com as observações, caro Victor.

    Cim mais de trinta anos de exoeriência em Branding, inclusive a citada Vale, acho que a nova Pina é um sacrilégio que só alguém que acha que tudo é bem de consumo pode confundir a Pinacoteca com ou outro produti quakquer. É capaz de resunir Antártica em ANTA e achar que vai torná-la masi friendly.

    A diretoria de Pinacoteca poderia ter mais humildade e reconhecer que pisou na bola.

  5. Murilo Fagotti says:

    Eu gostei, menos é mais. Vou ficar curtindo o nova marca tomando uma Pina Colada.

  6. Fábio says:

    Apenas um comentário sobre chamar de “Pina”. Conheço muita gente que trabalha ou trabalhou na Pinacoteca e, essas pessoas, costumam se referir ao museu como “Pina”. Mas, entendo que seja uma quantidade ínfima para o número de visitantes.

  7. joao pereira says:

    se não colar “pina” tenta “cocoteca”ou cocota teca”… vai tentando..

  8. Rice says:

    Se levarmos em consideração que a Pinacoteca é uma atração turística aqui e no exterior é interessante (principalmente para uma agencia de publicidade) pesquisar o significado de uma palavra em alguns países antes de adotá-la.

    Já li que Pina em Portugal é uma gíria para: foder

    Se for verídica essa informação, realmente a agência pinou com a marca.

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