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A marca da Oi: 350 mil libras e 4 anos para isso?!

por Victor Vasques

Sinceramente, não sei nem por onde começar este texto. Talvez vomitar uma série de palavrões não seja a melhor alternativa, mas não consigo pensar em outra solução. A nova identidade visual da Oi é tão ruim, que mais parece uma piada de mau gosto. Calma, toda essa fúria possui um embasamento sólido e claro.

Vamos começar pelo logo…

Não vou cair no mérito de que empresas como a FutureBrand e Wolff Olins chamam o logo de logomarca. Esta discussão já deu e vou deixar que vocês tirem as próprias conclusões. Vou focar nas 70 variações de logos presente no manual de identidade visual. Você tem noção do que é isso? A coisa não acaba aí. Segundo o manual, são “70 formas diferentes, cada uma podendo ser usada nos 3 diferentes degradês da Oi (verde, laranja e roxo)”. Se eu não fugi da aula de matemática, isso significa que são 210 variações.

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Deixando de lado a cabeça de gestor de marcas e analisando como um simples consumidor, você tem noção da confusão mental que isso gera? A marca antiga já tinha diversas variações, um detalhe que – como designer – me tirava do sério. Mas até tinha uma justificativa, eram sub logos para implementações específicas.

A família de ícones e tipografia

Inicialmente este parágrafo falava elogiava a tipografia e a família de ícones, mas fui me aprofundar no tema e percebi uma coisa, elas não fazem sentido.

A marca é toda “orgânica”, com curvas e sinuosidades, e a família de ícones possui cantos retos?! Eu entendo que eles foram feitos baseados na fonte Simplon Oi, mas (e aqui vai um gosto pessoal, livre de análises técnicas), não acho que casou muito bem.

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A marca “descolada” #SQN

Chegamos ao ponto que quero alfinetar com uma agulha de crochê. Uma marca descolada, divertida e humanizada não significa que vai usar abreviações como “vc”. Ser direto e pouco formal, não quer dizer que você é seco ou mal-educado. Vamos parar para pensar no ponto inicial: a Oi é uma empresa de telecomunicação. Eu não quero mais um amigo, quero uma empresa que preste um serviço de qualidade e que funcione.

Segundo o manual da Oi: “Somos claros e acessíveis, mas não falamos como criança, nem somos rasos, subestimando a inteligência das pessoas”. Ok, então me explique este exemplo de atendimento…

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“O atendimento acontece como numa troca de mensagens reais entre pessoas que se conhecem ou dividem algum interesse. Abreviações e emoticons constroem essa percepção. O texto da Renata mostra empatia, interesse e disponibilidade”, completa o manual. Não, não, não! Como diriam os seres do Facebook brasileiro, é a capivarização da comunicação. Neste caso, a capivarização de uma marca.

Sei que muitos não gostarão das minhas críticas e talvez esteja sendo até duro demais, mas para uma marca que, segundo a VEJA, está em desenvolvimento desde 2012 e custou 350 mil libras (algo em torno de 1.835.966,72 na cotação de hoje), eu esperava mais… muito mais!


Victor Vasques é designer, editor chefe do Com limão e sócio proprietário da Citrus Consultoria. Como gestor de marcas e criativo, já atuou com grandes marcas, como Discovery, UOL, iG, Globo.com e VEJA.

Eu irei lhe fazer uma proposta que você não poderá recusar - Don Vito


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4 Responses to A marca da Oi: 350 mil libras e 4 anos para isso?!

  1. Andréia Bessa says:

    Eu concordo com você. Acrescentaria o fato de que ficou inimaginável o controle de qualidade na aplicação, seja em impressões ou animações em web ou smart TV, qualquer coisa… parece mais um descarrego, acho que não tem outra palavra: jogar a responsabilidade toda pra cima dos designers que irão reproduzir isso num link patrocinado… eu já não gostava antes, agora vou usar só uma versão P%B.

  2. says:

    Vejo uma identidade pautada em parâmetros pré definidos, que se transforma respeitando o sistema e mantendo um elemento principal intacto. Não acho que esteja perdendo pregnância. Sobre o tempo de projeto, não vamos esquecer que se trata de uma empresa de larga escala e ampla operação. Não acredito que tenha sido 4 anos de trabalhos ininterruptos, com certeza houve uma grande burocracia e um vasto número de tomadores de decisões envolvidos. O mesmo vale para o valor do projeto.

    Creio que embasar uma crítica (mais emocional do que argumentativa) nesses aspectos seja uma pobreza de debate. A marca é boa sim, e inovadora. Creio que as transições tenham sido geradas por intermédio de códigos generativos, e isso é algo que tem acontecido aos poucos em cases internacionais (vide o sistema visual do MIT) e essa proposta da oi chega com um caráter ousado e renovador para o mercado. minha opinião apenas. Abraços

    • Concordo com seu ponto de vista Dé.

      Mas será que tamanha ousadia não dará margem por exemplo para más interpretações da aplicação do logo? Tirando o fato de manter o elemento principal intacto, algo natural ao redesign, a quantidade de possíveis variações chega a dar náuseas em quem for utilizar o manual para replicar a marca em publicidade, etc.

      Eu como designer, seguindo obviamente regras que foram desenvolvidas e estipuladas para melhor conservação da identidade, recrimino em parte a infinita fluidez da marca e até já imagino várias utilizações dentro e fora do espectro estipulado, como forma de diminuir a marca e até criar confusão para o consumidor final.

      Regras foram feitas para serem quebradas, mas para quebrá-las é necessário desenvolver o conhecimento de como fazê-lo sem prejudicar os demais posteriores envolvidos na disseminação da mesma.

  3. Daniel Silva says:

    MUITO BOM o artigo, estão de parabéns, entrou bastante conteudo de valor,gostei muito, VALEU !!!

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