A diversidade nas campanhas de marketing no Brasil

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A diversidade nas campanhas de marketing no Brasil

por Victor Vasques

Falar de diversidade no campo da comunicação costuma gerar discussões acaloradas. De um lado, aquele pessoal que acredita que “não é necessário”, do outro o grupo que quer levantar alguma bandeira a todo instante, e no meio, a parcela de profissionais que entendem a importância real do tema.

De acordo com um estudo inédito da Shutterstock, conduzido pelo Censuswide, o Brasil é um dos principais mercados para diversidade em campanhas de marketing. A pesquisa (inédita no Brasil) mostrou que nove entre dez profissionais de marketing acreditam que campanhas com diversidade podem aumentar a reputação de uma marca. Os resultados da pesquisa também mostram o Brasil como o mercado que mais se importa em representar a diversidade em campanhas de marketing usando imagens que apresentam modelos racialmente diversos, casais do mesmo sexo e pessoas com deficiências.

Mas isso ainda é algo que precisa evoluir e está caminhando aos poucos. A pesquisa mostra que tem ocorrido uma mudança na mentalidade dos profissionais de marketing: 32% dos profissionais brasileiros ouvidos disseram que começaram a usar mais imagens de pessoas com deficiências nos últimos 12 meses. Um número alto quando comparado a outros mercados proeminentes pesquisados, como o Reino Unido (25%), os EUA (20%), a Austrália (18%) e a Alemanha (13%).

Além disso, os profissionais de marketing brasileiros (82%) são significativamente mais propensos a concordar que é importante para os profissionais de marketing apoiarem a fluidez de gênero em seu marketing – para comparação, 66% dos americanos, 65% no Reino Unido, 58% dos australianos e 54% dos comerciantes alemães pensam da mesma forma.

As expectativas dos profissionais de marketing brasileiros quanto ao aumento da diversidade nas campanhas de marketing também são positivas: 95% dos profissionais brasileiros acreditam que ainda há um potencial de crescimento para o uso de diversas imagens em campanhas de marketing e 92% acreditam que isso pode ajudar a aumentar a reputação da marca.

Uma das surpresas do estudo foi o volume de profissionais de marketing na Austrália (73%), EUA (72%), Brasil (67%) e Alemanha (60%) que concordam que a regulamentação, como a norma “ASA” de estereótipos de gênero do Reino Unido, deve ser padrão em seus países.

A diversidade entre a Geração Z, Y, X e Baby Boomers

Mais de 2.500 profissionais de marketing da Austrália, do Brasil, da Alemanha, dos EUA e do Reino Unido foram pesquisados ​​em outubro de 2018 sobre como tomaram decisões visuais para imagens em suas campanhas no último ano. Este estudo é uma expansão da pesquisa da Shutterstock de 2016 (Reino Unido) e de 2017 (Austrália, Reino Unido, EUA) sobre o uso de imagens pelos profissionais de marketing.

Coletivamente, em todos os países pesquisados, a pesquisa mostra que nove em dez da Geração X (91%) e Millennial (92%) acreditam que eles devem usar uma representação mais diversificada em suas campanhas, e 88% da Geração X e 90% da geração do milênio acredita que isso ajuda a reputação da marca.

Ao avaliar se os profissionais de marketing começaram a agir de acordo com suas crenças, usando mais imagens apresentando diversos modelos em suas campanhas, as respostas mostram uma divisão geracional. Os profissionais de marketing da geração Z e da Millennial usaram mais imagens com diversos modelos no último ano, em comparação com os profissionais de marketing da Geração X e da Baby Boomer.

Nos últimos 12 meses, os profissionais de marketing começaram a usar imagens com mais:

  • Modelos raciais diversos – 35% Geração Z, 37% Geração Y, 27% Geração X e 16% Baby Boomers;
  • Casais do mesmo sexo – 26% Geração Z, 27% Geração Y, 18% Geração X e 12% Baby Boomers;
  • Modelos transgêneros – 19% Geração Z, 21% Geração Y, 11% Geração X e 6% Baby Boomers;
  • Pessoas com deficiência – 27% Geração Z, 25% Geração Y, 17% Geração X e 12% Baby Boomers;
  • Modelos de fluido sexual, não binários ou andrógenos – 16% Geração Z, 19% Geração Y, 11% Geração X e 5% Baby Boomers.

“A pesquisa mostra que, embora a Geração X compreenda o valor de apresentar diversas pessoas em suas campanhas, é menos provável que elas sigam essa tendência em comparação com os profissionais de marketing da Geração Z e Millennial”, disse Lou Weiss, diretor de marketing da Shutterstock. “A pesquisa deste ano ilustra não apenas as grandes diferenças geracionais entre os profissionais de marketing, como eles escolheram imagens para suas campanhas, mas também as várias motivações por trás dessas escolhas de imagem e como elas diferem por país. Há claramente uma mudança ocorrendo em nossa indústria, já que a próxima geração de profissionais de marketing encontra suas bases e visualiza suas crenças relacionadas à diversidade de raça, gênero e habilidades nas campanhas de marketing que estão criando.”

A pesquisa foi conduzida pela Censuswide entre 506 profissionais de marketing na Austrália, 502 profissionais de marketing no Brasil, 504 profissionais de marketing na Alemanha, 500 profissionais de marketing no Reino Unido e 505 profissionais de marketing nos EUA entre 8 de outubro e 15 de outubro de 2018.

Imagem Destaque – Por Rawpixel.com


Victor Vasques é designer, editor chefe do Com limão e sócio proprietário da Citrus Consultoria. Como gestor de marcas e criativo, já atuou com grandes marcas, como Discovery, UOL, iG, Globo.com e VEJA.

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