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Design X Sustentabilidade: A importância da solução sobre a constatação do problema

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Por André Meister

Qual a sua idéia de “mundo melhor”? Acho que a expressão já se tornou tão piegas ou eu mesmo me tornei tão cético, que acho maluquice pensar em um mundo florido, cheio de fábricas que soltam perfume de camomila de suas chaminés, com peixes que saem dos rios entoando temas dos filmes da Disney.

Não é uma visão negativa, apenas acredito que a diversidade nas mentes das pessoas não permitiria decisões unânimes e que para melhorar uma realidade, seja social, política ou física. Mais do que ideais, é preciso maturidade, conhecimento e, principalmente, um forte funcionalismo. Este sendo a habilidade de pensar na solução, ao invés de considerar o problema, trazendo harmonia antes de unanimidade.

Assistindo ao fórum sobre Design e Sustentabilidade na Brazil Design Week,  me impressionei pelo fato de ter sido uma das poucas vezes em que pude ver exemplos de soluções, antes de uma mera demonstração de portfolio. Especialmente por parte da Johnson & Johnson e da convidada Anne Marie Boutin.

Entre os novos conceitos que desenvolveram e apresentaram, ambos conseguiram definir que o real intuito do design não é deixar as coisas mais bonitas, mas funcionais. Dentro das várias propostas de design, a J&J relacionou não só a reformulação da marca, enfatizando a necessidade de uma relação pessoal e de confiança com seu cliente, mas deixou claro, em suas embalagens, a importância ambiental.

Pensando que hoje, muitas empresas iludem o seu público, usando o clássico selinho verde na parte de trás de suas embalagens, a J&J resolveu propor uma forma melhor de exemplificar a mensagem ambiental, com frases mais impactantes, com teor de slogan, como “Por favor, Recicle: Nossos Bebês Vão Herdar Nosso Planeta“, e propostas de design econômico e reutilizável. Menos plástico e mais praticidade, em que ao invés de embalagens totalmente novas, caso o consumidor queira adquirir o produto novamente, basta comprar um refill, evitando desperdício de plástico e outros materiais. Esta solução, também trazida pela Natura, é uma das mais simples atualmente e não só enfatiza a parte ambiental, como também traz uma elegância única ao produto.

Já estava feliz ao ver tantas idéias interessantes, mas a verdadeira satisfação surgiu com as propostas da francesa Anne Marie Boutin. Uma mulher interessada, não em difundir somente a melhoria que um bom design pode trazer, mas o que fazer para que o pensamento do designer esteja em variadas situações, para que a vida em si, torne-se funcional.

Em resumo, em uma equipe responsável pelo desenvolvimento de um determinado produto, um engenheiro no futuro, por exemplo, deveria entender de design, e um designer entender de engenharia, para ambos trabalharem em conjunto, de forma a desenvolver os produtos para que fossem realmente úteis para a vida social e feitos para evitar o máximo possível de utilização de espaço ou, ainda, ter o mínimo impacto ambiental possível.

O trabalho não seria apenas desenvolvido para os bens de consumo pessoais, mas também no mundo cotidiano, como hidrantes mais manuseáveis e menos capazes de machucar os transeuntes.

De fato, se mais empresas tivessem a disposição da J&J, da Natura e as idéias de Anne Marie Boutin, as próprias empresas teriam os gastos de investimentos cobertos em um prazo razoável e ainda melhor: talvez em um respiro mínimo de utopia, traria a tão falada consciência social a um ritmo fora da pieguice.

André Meister é publicitário especializado em Ilustração e Concept Art. Além de escrever ‘O “Eu” Cotidiano’, é editor da editoria de HQ’s & Ilustração do Com limão.

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