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Criatividade: Ela só nasce se você levantar a bunda da cadeira

A publicidade brasileira precisa de novos profissionais ou basta exercitar os velhos criativos?

Sempre digo que a publicidade brasileira ficou acomodada e com isso pedras, mouses e anúncios são jogados em minha pessoa. Mas o que posso fazer se esta é a mais pura verdade?

Se você não acha, basta dar uma olhada no volume de ideias novas que surgem no nosso mercado. Basta fazer algo novo para se tornar um sucesso, afinal, a maioria dos criativos adora o bom e velho feijão com arroz ou o papai e mamãe de todos os dias.

Muitos dizem que é para manter a taxa de retorno da campanha ou a visibilidade do cliente, mas a grande verdade é que são poucos que querem levantar seu flácido bumbum das cadeiras almofadadas e enfrentar o selvagem mercado.

Basta aparecer uma pesquisa para que o escudo das porcentagens torne-se uma justificativa para a página dupla ou a maravilhosa-inédita-e-revolucionária campanha nas mídias sociais.

Por que digo isso? Um simples exemplo: No último domingo (31/07), o jornal Estado de S. Paulo teve a “brilhante” ideia de presentear seus leitores com um álbum de figurinhas do Brasileirão.

Resultado? Uma pilha de jornais atolados na banca ou diversos consumidores pedindo para levar apenas o jornal – e deixar o álbum.

Questionado pelo Com limão, a resposta do jornaleiro César Mendes estava na ponta da língua: “muitos compradores não querem levar o jornal porque não querem seus filhos pedindo figurinhas toda hora”.

César ainda completa: “Muitos perguntaram se podiam deixar o álbum. Fazem 12 anos que tenho banca e todos os anos alguém inventa uma promoção como essa, o resultado é sempre o mesmo.”

Uma coisa que me incomoda. 12 anos! 12 anos e ninguém levantou a bunda para ver que isso acontece? Será que ninguém achou “interessante” fazer uma pesquisa de campo ou perguntar a estes profissionais sobre o resultado destas promoções?

Será que é assim que queremos trabalhar branding ou até mesmo a boa e velha publicidade?

Em minha opinião, as agências (e empresas no geral) ficam preocupadas demais com a produtividade, mas esquecem de que a melhor maneira de entender o consumidor é também a mais simples, indo até ele.

Quando digo ir até ele, não é contratar uma empresa de pesquisas e ficar montando um bilhão de relatórios quantitativos e qualitativos. É ir observar, conversar e entender. Concordo que a “amostragem” é bem menor, mas é desta experiência que podem surgir os melhores insights. Não é a toa que os melhores inventores dão a luz a suas crias a partir de experiências do cotidiano.

Por isso acho que todo o criativo ou profissional ligado a comunicação que não sai a campo pode dizer “nossa, como eu nunca pensei nisso!”. Claro que você nunca pensou nisso, você nunca saiu para presenciar este problema, como pode ter uma solução para ele.

Ou você acha que basta digitar “solução” no Google e todos os seus problemas estarão resolvidos?

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