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O que o Uber e uma lasanha congelada tem em comum?

Uber está convocando os usuários a protestarem, mas está tudo errado! Quem me conhece mais intimamente sabe que só ando de táxi e transporte público (apesar da lotação, adoro o metrô de São Paulo. Acho muito prático!). Tenho uma filosofia pessoal que, enquanto puder, evitarei colocar mais um carro nas ruas da cidade. Não só isso, também tem o fator financeiro. Quando saio para jantar fora, evito o valet, o estacionamento, o contratempo de achar uma vaga na rua e posso beber algo (bebo pouco, mas seria o suficiente para o bafômetro).

Algum tempo atrás testei o Uber. Afinal, era o “inovador conceito” de compartilhamento de veículos. Uma ideia genial para uma cidade como São Paulo, se não fosse por um detalhe. O Uber precisa de fiscalização.

Não adianta ter uma ideia “inovadora”, se ela não se aplica as leis vigentes. Então mude primeiro as leis e depois insira a ideia. Não adianta! É querer quebrar pedra com macarrão cozido. Vou explicar melhor e dividir em alguns pontos. Confira abaixo!

1. Fiscalização = ½ Segurança

Concordo que fiscalização não evitará 100% que motoristas do Uber ou taxistas inflijam a lei. Já vi muito taxista dirigindo com muito álcool no sangue e isso não vai mudar… Mas ajuda. Para tirar um alvará de taxista, a coisa não é fácil e poucos querem arriscar a perda dele. No caso do Uber, não existe fiscalização. Qualquer um pode entrar no carro e ligar o “taxímetro”. E não estamos falando do país com os melhores motoristas do mundo.

Enquanto escrevia este texto, decidi ir buscar alguns pãezinhos (cacetinhos, para o pessoal do Sul). Em menos de 100 metros, vi – no mínimo, porque não sou guarda de trânsito – 7 infrações. Carro parado debaixo da placa de proibido estacionar, aquela tradicional “fila dupla rapidinha” na saída de uma escola e vários, mas vários carros mesmo, que nem reduziam a velocidade na faixa de pedestres.

Neste trajeto, tenho que atravessar uma rua pequena e sem semáforo para pedestre. Conclusão, a galera acha que está disputando o GP de F1.

2. Leis são macro ambiente

Quando você desenvolve um produto/serviço, um plano de negócios é – no mínimo – desejável. Dentro dele, existem inúmeras ferramentas (ex: SWOT/FOFA) que nos ajudam a analisar o mercado, concorrência e outros fatores macro ambientais, entre elas, LEGISLAÇÃO. No caso do Uber, a ideia funcionou muito bem em São Francisco, mas se a ideia era ganhar escala global, então deveriam ter pensado nas leis locais. Não basta um “oi, sou empreendedor e vou colocar esse produto aqui”.

O que o Uber e uma lasanha congelada tem em comum? Ambos encontrarão leis locais específicas. Extrapolando o cúmulo do exemplo, imagine que eu criei uma lasanha congelada com folhas de Maconha. Só porque posso vender aqui ou acolá, não quer dizer que vou vender em todos os lugares. O mesmo acontece com serviço.

3. O Uber é o maior inimigo de si mesmo

Segundo o site G1, em abril deste ano, o Uber pediu para o tribunal americano a anulação de uma ação envolvendo um estupro na Índia. Segundo a empresa, ela não pode ser responsabilizada pelas ações dos motoristas. OH WAIT!

Se nem mesmo o Uber pode se responsabilizar (ou quer se responsabilizar), então por qual motivo vou usar o sistema?! Estou entrando em um carro de um desconhecido porque tenho a chancela da marca, mas a marca não tem nenhuma responsabilidade. Novamente, por que vou usar?!

4. Uber: Legalize já!

Agora se você apoia o Uber, então vamos lutar para que ele se legalize. Siga regras e seja fiscalizado. Até lá, ele segue em uma tênue linha entre a ilegalidade e o inovador.

Nota do editor: Duas coisas me chamaram atenção no contrato do Uber.
#1: Seu parceiro contratual é a Uber B.V., uma empresa de responsabilidade limitada estabelecida nos Países Baixos, com escritórios situados na Vijzelstraat 68, 1017 HL, Amsterdã, Países Baixos (isso limita as ações contra a empresa no Brasil, ou seja, qualquer problema terá que acionar o escritório de Amsterdã?)

#2: Ao aceitar estes Termos do Usuário e utilizar o aplicativo ou serviço, você concorda em defender, indenizar e isentar a Uber, suas afiliadas, seus licenciadores e cada um de seus funcionários, diretores, outros usuários, advogados e agentes de e contra todas e quaisquer reivindicações, custos, danos, perdas, responsabilidades e despesas incluindo custas e honorários advocatícios (é o famoso “não tenho nada a ver com isso”).

Se houver algum advogado por aí, por favor, comente.

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