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Do Design ao Design Thinking: a transformação do pensamento do Design

Foi buscando novos caminhos para a inovação que se cunhou o que hoje é conhecido como “Design Thinking “. Saiba mais sobre o tema.

Do Design Ao Design Thinking: A Transformação Do Pensamento Do Design

No cenário de competição global, as empresas passaram a perceber que já não bastava oferecer apenas superioridade tecnológica ou excelência em desempenho como vantagem mercadológica [2]. Com a expansão do Design em novas fronteiras, os limites do que é e o que não é Design estão ficando cada vez mais incertos. Os designers, ao se tornarem defensores dos usuários e clientes nas organizações, têm se esforçado para elevar o papel do Design, avançando no processo de decisão até alcançar a área executiva das empresas [3].

Foi buscando novos caminhos para a inovação que se cunhou o que hoje é conhecido como “Design Thinking” ou “Pensamento de Design”: “uma abordagem focada no ser humano que vê na multidisciplinaridade, colaboração e tangibilização de pensamentos e processos, caminhos que levam a soluções inovadoras para negócios” [2]. O Design Thinking é uma abordagem centrada no usuário para a resolução criativa de problemas e inovação [1, 4, 2]. A evolução do Design para o Design Thinking parte inicialmente da criação de produtos, passa pela relação entre pessoas e produtos até chegar ao relacionamento entre pessoas e pessoas [1]. As metodologias de Design são, sem dúvida, parte do Design Thinking , mas não são a mesma coisa. O Design Thinking é uma força colaborativa que agrupa as disciplinas numa visão mais ampla e holística e não se limita a viver apenas dentro da disciplina de Design”.

O cenário a que se chegou passou de uma solidez moderna e estática para uma contemporaneidade imprevisível, repleta de códigos, de difícil compreensão, complexa, fluida e dinâmica, em que “é necessário estimular e alimentar constantemente o mercado por meio da inovação e diferenciação pelo Design” [6]. Se formos definir uma teoria do Design, esta teria provavelmente constituição transdisciplinar, pois haveria condições de combinar conhecimentos pertencentes a diversas áreas científicas e, com suas práxis, poderia assumir o papel de elo conciliador ou interventor entre diferentes especialistas [7]. “No mundo sólido do passado, existiam contêineres disciplinares e seguros nos quais qualquer um poderia se posicionar. Agora não é mais assim: no mundo fluido contemporâneo os contêineres foram abertos e as suas paredes não são mais protegidas” [8].

O Design tornou-se um tópico popular na literatura de gestão exposto a diversas interpretações: desde um conceito imediatista como estilo até uma concepção mais ampla como qualquer atividade criativa ou inovadora. Associar o Design à inovação em geral foi o primeiro passo para expandir a ideia de Design apenas ligada à forma. Termos como Engenharia de Design servem frequentemente para descrever a inovação com foco em tecnologia. Dessa forma, estratégias de inovação “guiadas” pelo Design têm-se mostrado expressivas e sustentáveis, agregando valor às marcas e ajudando as empresas a crescer. A inovação tecnológica (desempenho) aliada à inovação do significado (linguagem), protagonizada pelo Design, faz uma grande diferença no desenvolvimento de novos produtos e serviços no mercado [9].

Leia também: O Designer do Futuro: Desafios do Design para um futuro da incerteza

O grande desafio na atualidade para o campo do Design é atuar em cenários considerados como fluidos, dinâmicos, mutantes e complexos. A atuação do Designer deixou de ser linear e tecnicista e passou a entrar em universos até certo ponto desconhecidos que demandam uma decodificação em busca de qualidades intangíveis. O Design somente conseguirá ultrapassar essas barreiras se interagir de forma transversal e transdisciplinar, com disciplinas tanto objetivas e exatas quanto humanas, estéticas e sociais. O Designer passará a assumir um papel de gestor dessa complexidade [6]. A complexidade, definida como o número de elementos que compõem um sistema, está intrínseca no Design, uma vez que este envolve conceitos de diversos campos do conhecimento de acordo com o objeto do projeto que está sendo manipulado, fazendo com que seja inevitavelmente uma forma de conhecimento transdisciplinar.

O universo do Design é muito vasto e diversificado, e quando se fala em conhecimento é necessária uma abordagem tanto multi, quanto inter e transdisciplinar [10]. Multi e interdisciplinar no sentido de que necessita da colaboração de outras áreas de conhecimento para formar o conhecimento do Design. Transdisciplinar quando combina conhecimentos de diversas áreas científicas, mas sem a definição de um campo fixo de conhecimentos, seja ele linear-vertical (disciplinar), seja linear-horizontal (interdisciplinar), isto é, o Design acaba ocupando uma condição intrinsecamente “instável” [7].

Claudia Alquezar Facca é designer, educadora e pesquisadora em Design, Doutoranda em Design; Especialista em Comunicação e Artes e Didática do Ensino Superior e Coordenadora dos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Design do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia. | Autora no Linkedin

REFERÊNCIAS

[1] T. Brown. Change by Design. How Design Thinking transforms organizations and inspires innovation. Adobe Digital Edition ed., New York, NY: HarperCollins ebooks, 2009, p. 164.

[2] M. Vianna, Y. Vianna, I. Adler, B. Lucena e B. Russo. Design Thinking : inovação em negócios, 2. ed., Rio de janeiro, RJ: MJV Press, 2012, p. 161.

[3] T. Björklund and T.Keipi. Design +: Organizational renewal and innovation through Design, e-book ed., Helsinki: Aalto University – Aalto Design Factory, 2019, p. 222.

[4] P. Micheli, S. Wilner, S. Bhatti, M.Mura; M. Beverland. “Doing Design Thinking : Conceptual review, synthesis and research agenda,” Journal of Product Innovation Management, pp. 124-148, august 2018.

[5] B. Brautigam. “How Design Thinking will fix Design Thinking ,” 03 april 2017. [Online]. Available: http://medium.muz.li/how-Design-Thinking-will-fix-Design-Thinking -5ce735b4c029. [Acedido em 10 01 2020].

[6] D. d. Moraes. “Design e Complexidade”. Cadernos de Estudos Avançados em Design: Transversalidade, vol. 1, Caderno 2, pp. 7-21, julho 2008.

[7] G. A. Bomfim. “Fundamentos de uma teoria transdisciplinar do Design: morfologia dos objetos de uso e sistemas de comunicação,” em Gustavo Amarante Bomfim: Uma Coletânea. Rio de Janeiro: Rio Books, 2014, pp. 35-50.

[8] P. Bertola e E. Manzini. Design Multiverso: appunti di fenomenologia del Design, Milano: POLIDesign, 2004, pp. 10-17.

[9] R. Verganti. Design Driven Innovation. Mudar as regras da competição: a inovação radical do significado de produtos, 2. ed., São Paulo: Canal Certo, 2012, p. 271.

[10] C. A. Facca, O Designer como Pesquisador: uma abordagem metodológica da pesquisa aplicada ao Design de Produtos. São Paulo: Blucher Acadêmico, 2011, p. 190.

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