Design

Entrevista: Motorola aposta em design premium com sustentabilidade e impacto

Em conversa com Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola no Brasil, marca reforça que design premium e sustentabilidade podem caminhar juntos.

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A Motorola vem mostrando que é possível unir design, sofisticação, inovação e responsabilidade socioambiental no desenvolvimento de smartphones. Em entrevista ao Com limão, Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola no Brasil, destacou que essa visão já faz parte do DNA da marca e orienta tanto as decisões de design, quanto os investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

A Motorola, em nenhum momento, abre mão dessa visão da responsabilidade social.(…) A responsabilidade social é inegociável em todas as nossas linhas de produtos.

Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola no Brasil, sobre design e responsabilidade
Novo motorola signature, o modelo ultra top de linha com câmeras de 50 MP

A fala ganha ainda mais peso quando se considera o contexto da própria marca, as ações e novos produtos lançados recentemente. Segundo Rodrigo, a sustentabilidade não aparece como um complemento de marketing ou como uma pauta paralela. Ela está inserida no centro do desenvolvimento dos produtos, funcionando como um “norte central” dentro da empresa. Isso ajuda a explicar por que, mesmo ao investir em materiais nobres, coleções exclusivas e acabamentos sofisticados, a Motorola insiste em defender que sua responsabilidade social continua sendo inegociável.

Um dos pontos mais interessantes da conversa é justamente essa aparente dualidade entre luxo e sustentabilidade. Afinal, como conciliar um smartphone premium, incluindo edições limitadas e até modelos que possuem elementos banhados a ouro 24 quilates, com um discurso consistente de redução de impacto ambiental? Rodrigo respondeu a essa provocação reconhecendo que existem produtos especiais e de menor escala, mas destacou que eles representam uma parte restrita da operação e a Motorola trabalha para fazer a reciclagem. No volume principal de fabricação, o foco está em eliminar plástico, testar novos materiais, reduzir desperdícios e ampliar a reciclagem dos componentes.

Entre os exemplos citados, chama atenção o teste com fibra de açaí, estudada como alternativa para diminuir o uso de plástico em materiais que hoje ainda dependem desse recurso. A menção à fibra de açaí não aparece como promessa vazia ou solução pronta, mas como parte de um processo real de pesquisa, prototipagem, ajustes e validações. Sobre isso, Rodrigo foi cuidadoso ao explicar que inovação em materiais exige etapas de teste, correções e até retornos à prancheta. Isso revela uma visão madura de sustentabilidade: mais do que anunciar respostas definitivas, trata-se de manter uma mentalidade contínua de evolução.

Essa postura se conecta à estrutura de pesquisa da companhia no Brasil. O executivo destacou que a Motorola conta com cerca de 1.200 engenheiros trabalhando com pesquisa e desenvolvimento no país. É essa base que permite que a empresa avance não só em soluções ligadas à redução de impacto ambiental, mas também em iniciativas de impacto social bastante concretas.

O motorola signature foi desenvolvido com a sustentabilidade em mente. Como parte do Grupo Lenovo, a Motorola está focada em avançar os compromissos e metas globais de sustentabilidade da organização. Especificamente, com o motorola signature, os usuários podem esperar:

  • Materiais reciclados com mais de 63% de metais reciclados e 100% de alumínio reciclado na estrutura intermediária. O dispositivo também conta com diversos tipos de plásticos reciclados, como o suporte do alto-falante superior, que contém 65% de plástico reciclado pós-consumo (PCR) e 20% de plástico recuperado de áreas costeiras (Ocean Bound Plastic – OBP).
  • Embalagem sem plástico, com impressão em tinta à base de soja e componentes totalmente recicláveis.
  • Durabilidade da bateria com até 1200 ciclos de carga e tecnologia de bateria de silício-carbono, proporcionando longa vida útil e um design fino sem compromissos.
  • Longevidade e resistência, com o dispositivo atendendo a padrões militares de durabilidade (MIL-STD-810H), além de contar com certificações IP68/IP69 e proteção reforçada com Gorilla Glass Victus 2.

A fala do presidente da Motorola no Brasil mostra que, para a marca, sustentabilidade não se resume à origem dos materiais ou ao descarte correto dos aparelhos. Ela também envolve pensar em inclusão, acessibilidade, preservação cultural e relevância social da tecnologia.

Um exemplo poderoso citado na conversa é o trabalho de inclusão de línguas indígenas nos smartphones da marca. (Ouça abaixo o podcast gravado para o InovaSocial sobre inclusão de idiomas indígenas nas plataformas da Motorola). A iniciativa ajuda a preservar culturas e fortalece a transmissão desses idiomas entre gerações, transformando o celular em uma ferramenta de continuidade cultural.

Rodrigo trata isso como algo que ultrapassa a lógica comercial: é uma inovação que tem valor simbólico e social profundo. Ao permitir que uma pessoa utilize o aparelho e se comunique na língua de sua etnia, a tecnologia passa a ocupar um papel de valorização identitária e não apenas de consumo.

ter línguas indígenas nos smartphones da Motorola permite que a cultura indígena seja preservada (…) você está ali utilizando o celular, conversando com seu filho na língua da sua etnia… isso não tem preço. É uma coisa que dá muito orgulho para gente porque você vê o impacto de transformação na vida das pessoas.

Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola no Brasil, sobre a inclusão de idiomas indígenas nas plataformas da Motorola

A conversa com Rodrigo Vidigal também traz uma reflexão relevante sobre o ciclo de vida dos smartphones no Brasil. O executivo reforça que existem “muitos Brasis”, com realidades muito diferentes de consumo. Há um público que troca de aparelho com frequência, em busca de novidades e upgrades constantes, mas também existe uma parcela enorme da população que precisa que o telefone dure mais tempo; seja por limitação de renda, dificuldade de acesso a crédito ou pelo simples custo de reposição. Essa leitura é importante porque impede análises superficiais sobre descarte e renovação tecnológica. Sustentabilidade, nesse cenário, passa também pela durabilidade.

Outro aspecto relevante da entrevista é que a Motorola associa sustentabilidade à própria viabilidade futura da empresa. Em outras palavras, não se trata apenas de reputação, imagem institucional ou resposta a uma demanda do mercado. O executivo deixa claro que, na visão da companhia, não faz mais sentido crescer produzindo impacto negativo sem responsabilidade sobre o que fica para trás. A lógica de “produzir, poluir e descartar” é algo ultrapassado, incompatível com a sociedade atual e com o futuro da indústria.

A Motorola é a parceira oficial de smartphones da Copa do Mundo FIFA 26 e anunciou as edições especiais do Motorola Razr 60 e o Motorola Edge 70 Fusion, ambos com design temático e elementos banhados a ouro.

Essa fala ajuda a posicionar a sustentabilidade como parte da estratégia de longo prazo. A empresa entende que melhorar a vida das pessoas não é um discurso abstrato, mas a base do crescimento sustentável do negócio. Essa talvez seja a principal mensagem da entrevista: inovação real é aquela que combina desempenho, desejo, funcionalidade e consciência. Não basta criar um produto bonito ou tecnologicamente avançado; é preciso que ele esteja inserido em uma cadeia mais responsável, mais inclusiva e mais preparada para os desafios sociais e ambientais do presente.

Quando o provoquei sobre a ideia de “Lifestyle Tech” e se existe tensão entre desejo de consumo e responsabilidade, Rodrigo respondeu rejeitando essa oposição. Para ele, a Motorola não abandona sua visão de responsabilidade social nem mesmo nas linhas mais aspiracionais. O que muda é a forma como o produto é percebido pelo consumidor. Em alguns casos, especialmente em edições especiais, o aparelho passa a ser visto como item de coleção, o que pode até dificultar processos de devolução e reciclagem. Ainda assim, isso não altera o compromisso estrutural da empresa com redução de plástico, diminuição de desperdício e mitigação de impacto ambiental.

Se a gente conseguir melhorar a vida das pessoas, a empresa vai crescer. No final do dia, é isso.

Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola no Brasil, sobre propósito e crescimento da empresa

A conversa com Rodrigo Vidigal revela uma indústria de tecnologia que está sendo obrigada a amadurecer. Durante anos, o setor foi guiado sobretudo por performance, velocidade de lançamento e apelo de consumo. Hoje, isso continua importante, mas já não basta. Marcas relevantes precisam responder também a questões sobre origem dos materiais, condições de produção, reaproveitamento, inclusão, acessibilidade e compromisso social. A Motorola procura mostrar que compreende esse novo cenário e que deseja fazer do design uma ponte entre inovação e responsabilidade.

O design deixou de ser apenas forma, acabamento ou linguagem visual. Ele passou a ser também decisão industrial, impacto ambiental, experiência humana e posicionamento ético. É justamente nesse cruzamento entre estética, tecnologia e consciência que vemos a Motorola se encaixando.

Em resumo, a sensação é de que o debate sobre smartphones sustentáveis ainda está longe de uma solução definitiva, mas também de que já não há espaço para ignorá-lo. A Motorola reconhece que existem desafios técnicos, limitações de escala e tensões de mercado, mas insiste em defender a mentalidade de busca constante por melhorias. E talvez seja esse o ponto mais convincente de toda a conversa: a sustentabilidade, quando tratada com seriedade, não aparece como resposta pronta, e sim como processo contínuo de transformação.



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