Gatorade na F1: A narrativa da ciência da hidratação
Entenda como a Gatorade usa a Fórmula 1 para conectar ciência da hidratação, inovação e novas experiências de marca.
Entenda como a Gatorade usa a Fórmula 1 para conectar ciência da hidratação, inovação e novas experiências de marca.
Existe um equívoco curioso sobre a Fórmula 1. Como os pilotos passam boa parte da corrida sentados, cercados por tecnologia, é fácil esquecer que existe um atleta trabalhando no limite dentro daquela máquina. O carro é extraordinário, mas não funciona sozinho.
Em 2026, essa relação ganhou outra camada. A categoria passou a competir sob novas regras técnicas, com maior participação da energia elétrica nos motores híbridos, mudanças aerodinâmicas e uso de combustíveis sustentáveis. A Fórmula 1 segue funcionando como um ambiente de experimentação para a indústria automotiva, ainda que nem toda solução desenvolvida nas pistas encontre aplicação direta nos carros de rua.
Mas existe outro laboratório que merece atenção: o corpo do piloto. Temperatura, fadiga, concentração e hidratação também influenciam o desempenho. E é nesse território que a Gatorade encontrou uma oportunidade de inovação, para além da exposição de seu logotipo durante as transmissões.
Em entrevista ao Com limão, durante o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, em Interlagos, Ana Carolina Guimarães, head de marketing de bebidas funcionais da PepsiCo, explicou como a marca está conectando ciência esportiva, preparação dos pilotos e produção de conteúdo. A ideia é transformar algo pouco visível nas corridas em uma história que faça sentido para o público.

A Fórmula 1 sempre esteve associada à busca por eficiência. Aerodinâmica, gerenciamento de energia, materiais e sistemas de recuperação são áreas em que equipes trabalham sob restrições e metas muito específicas. As regras de 2026 reforçam essa dimensão ao ampliar o papel da eletrificação e da eficiência energética.
Só que a performance não termina na engenharia. Dentro do cockpit, o piloto precisa tomar decisões em frações de segundo, suportar calor intenso (e chuva, no caso de Interlagos) e manter movimentos precisos durante toda a prova. A preparação física deixa de ser um complemento e passa a integrar o funcionamento de todo o conjunto.
É nessa lógica que entra a parceria da PepsiCo com a Mercedes-AMG Petronas, iniciada em 2026. Por meio do Gatorade Sports Science Institute (GSSI), a marca participa dos programas de hidratação da equipe, trabalhando com estratégias que consideram necessidades individuais dos atletas, em vez de uma solução idêntica para todos.
“Parte do projeto é entender o que cada um deles precisa, qual é o funcionamento de cada corpo, qual é a taxa de sudorese. Cada um deles tem uma fórmula específica, que a gente chama de hydration formula”.
— Ana Carolina Guimarães, head de marketing de bebidas funcionais da PepsiCo
Na entrevista, Ana Carolina explicou que o projeto considera características do corpo e taxas de sudorese para desenvolver abordagens personalizadas.
Isso ajuda a entender por que a marca vê a categoria como um espaço de aplicação da ciência, e não apenas como uma vitrine publicitária. A máquina recebe ajustes finos. O atleta também.
Há um paralelo interessante entre esse trabalho e a telemetria utilizada na Fórmula 1. Os engenheiros observam o comportamento do carro, interpretam informações e ajustam estratégias para determinadas condições. Na preparação física, a lógica também depende de medir, compreender diferenças individuais e revisar decisões conforme a necessidade.
Isso não significa tratar o corpo como um motor, nem supor que os mesmos indicadores sirvam para pessoas diferentes. Pelo contrário, a particularidade de cada atleta é parte do problema de projeto. Um piloto pode ter necessidades distintas de outro, mesmo disputando a mesma prova, sob condições semelhantes.

Eu também me arrisquei nas ativações da Gatorade em Interlagos
A presença da Gatorade acontece em um momento em que a Fórmula 1 deixou de ser consumida apenas durante as corridas. Séries, filmes, redes sociais e conteúdos de bastidores abriram espaço para conhecer a rotina dos pilotos, seus treinamentos e as pessoas envolvidas nas equipes.
“Quando a gente fala de Fórmula 1, estamos falando de uma mudança no perfil das pessoas que consomem a modalidade. Um perfil cada vez mais novo e muito mais engajado nas redes sociais”, explica Ana Carolina.
Essa transformação também alterou a maneira como as marcas podem participar do esporte. Antes, boa parte da comunicação estava concentrada na exposição durante as provas. Agora, existe um universo de histórias que começa muito antes da largada e continua depois da bandeirada.
“Há alguns anos, a gente só via os pilotos dentro do carro, no pódio e acabou. Agora começamos a ver, por meio de séries e filmes, muito dessa preparação”, observa a executiva. Para uma marca ligada à hidratação esportiva, essa mudança cria uma oportunidade de explicar o que acontece com o atleta antes mesmo de o motor ser ligado.
O patrocínio, portanto, não se resume ao espaço de exposição. A Gatorade integra a parceria da PepsiCo com a Fórmula 1, firmada em 2025 e válida até 2030, e também a colaboração com a Mercedes, que permite produzir conteúdos envolvendo George Russell e Kimi Antonelli.
A mudança de audiência ajuda a entender essa escolha. Segundo dados divulgados pela própria Fórmula 1 em 2026, 42% de sua base de fãs é formada por mulheres, enquanto 43% têm menos de 35 anos. São indicadores distintos, mas apontam para uma comunidade mais diversa do que a imagem tradicionalmente associada ao automobilismo.
A plataforma de conteúdo Inside Formula traduz parte dessa estratégia. Ao aproximar os pilotos de criadores e de outras modalidades esportivas, a marca tenta mostrar que esforço, suor e preparação não são assuntos exclusivos de quem compete profissionalmente. O objetivo é tornar a ciência da hidratação compreensível para quem também pratica atividades físicas fora das pistas.

“Conseguir entrar na Fórmula 1 é pegar carona em um esporte que hoje é um dos que mais crescem. É falar com um público que está começando a praticar esporte agora e, muitas vezes, é inspirado por essa paixão”, afirma Ana Carolina.
A declaração ajuda a compreender o interesse comercial e cultural da Gatorade. A Fórmula 1 oferece acesso a uma audiência que acompanha seus ídolos para além das corridas e que pode estabelecer relações com marcas a partir dos conteúdos que consome.
Mas vale preservar a diferença entre inspiração e prescrição. A rotina de um piloto submetido a altas temperaturas e esforço intenso não representa automaticamente a de quem caminha no parque ou faz um treino leve. Necessidades de hidratação variam conforme o indivíduo, a duração do exercício e as condições ambientais. O laboratório pode oferecer conhecimento; a aplicação exige contexto.
Para o branding, esse talvez seja o ponto mais interessante. Uma parceria esportiva ganha profundidade quando consegue explicar sua presença naquele universo sem depender apenas do prestígio da modalidade. A associação precisa ter uma razão que sobreviva ao fim de semana de corrida e faça parte de uma narrativa mais abrangente.
No Grande Prêmio de São Paulo de 2026, a atuação da Gatorade inclui experiências para os fãs, como simuladores e desafios de reação inspirados em habilidades exigidas dos pilotos. Essas ações não reproduzem as condições físicas de uma corrida real, mas oferecem uma forma mais concreta de perceber que dirigir um Fórmula 1 envolve atenção, preparo e precisão.
A marca também se conecta à F1 Academy, categoria voltada ao desenvolvimento de mulheres no automobilismo, com iniciativas de pesquisa e hidratação personalizada. Esse trabalho amplia a discussão sobre inovação; não se trata apenas de melhorar respostas para atletas já atendidos, mas de investigar necessidades que historicamente receberam menos atenção.
O resultado é uma estratégia que combina laboratório, equipe, conteúdo e experiência de marca. Mas, ainda será necessário observar quais aprendizados da parceria se traduzirão em produtos, práticas ou resultados mensuráveis. Estar perto de um ambiente de alta performance é uma oportunidade de pesquisa, não uma comprovação automática de inovação.
A Fórmula 1 continua sendo um laboratório automotivo, onde a engenharia é colocada à prova diante do público. A entrada da Gatorade lembra que, por trás de cada sistema sofisticado, há também limites e decisões humanas. E o desafio não é apenas construir máquinas mais eficientes, mas entender melhor as pessoas que as fazem funcionar.