Inovação Chinesa: Os super aplicativos e os destaques no ranking da Fast Company

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Inovação Chinesa: Os super aplicativos e os destaques no ranking da Fast Company

por Victor Vasques

Por anos, a China foi conhecida por ser um país gigante que fabricava e copiava muitas das inovações do ocidente. De alguns anos pra cá, o jogo tem mudado. Tanto governo, quanto empresários chineses perceberam que o país já tinha mão de obra e fábricas, só faltava focar em design, pesquisa e desenvolvimento para ganhar o mundo. Um dos grandes termômetros deste cenário é o ranking das 50 empresas mais inovadoras do mundo, da Fast Company. Por anos liderada por empresas do Vale do Silício e outras partes dos EUA, a lista deste ano traz duas empresas orientais no primeiro e segundo lugar. Como a própria revista afirmou, “as duas empresas mais inovadoras do mundo hoje estão mudando a forma como centenas de milhões de consumidores asiáticos compram alimentos, reservam hotéis e muito mais.”

Mas para entendermos melhor como a China virou o país da cópia, para o país da inovação, precisamos voltar no tempo e entender como o idioma chinês se transformou. Além de ser o idioma nativo mais falado no mundo, o chinês é um gigante com suas próprias peculiaridades. Conhecida como um “macro idioma”, ele possui diversos dialetos e o famoso mandarim é apenas um deles. Em 1956, a China decidiu unificar o idioma no país, isso gerou diversas polêmicas e, até hoje, muitas localidades chinesas não aceitaram o mandarim como idioma nativo. Mas isso fez com que um país gigantesco falasse o mesmo idioma. Para você ter uma ideia, a diferença entre os dialetos era tão grande, que – fazendo uma analogia – era como se uma parte do país falasse francês e outra parte falasse alemão.

Mas como se padroniza o idioma de mais de 1 bilhão de pessoas? Os hanzis, conjuntos de logogramas (símbolo que denota um conceito concreto ou abstrato da realidade) chineses são muito simples e repletos de significados da cultura chinesa. Veja o exemplo do logograma montanha: 山 (shān). Se você prestar bastante atenção, o símbolo forma – de um jeito bem abstrato – uma montanha. Já o logograma para homem: 男人 (nánrén) possui diversos significados dentro de um só. O símbolo 田 (tián) significa campo e 力 () significa força. Juntos, formam o sufixo 男 (nán), que significa masculino. Já o 人 (rén) é pessoa. Junte tudo e você terá “homem” ou a pessoa que é a força do campo. Apesar de ser um alfabeto composto por mais de 80 mil símbolos, de acordo com a empresária chinesa ShaoLan, criadora do Chineasy (veja abaixo o TED talk em que ela explica o sistema), um chinês de 8 anos sabe, em média, 200 hanzis.

 

Agora que já entendemos como a educação impulsionou a integração da China, vamos voltar aos dias atuais. Segundo o Índice Global de Inovação 2018, que leva em conta indicadores como capital humano, infraestrutura, número de registros de patentes e, até mesmo, criatividade para mensurar a inovação, os chineses estão entre os vinte países mais inovadores do mundo, a frente de países como Canadá, Noruega e Austrália. Já no ranking da Fast Company, citado no começo do texto, os “super aplicativos transacional” está transformando empresas locais em toda a Ásia, digitalizando suas operações e alimentando seu crescimento e expansão.

A Meituan Dianping, primeira colocado no ranking, é uma plataforma tecnológica que agiliza a reserva e a entrega de serviços como alimentos, estadias em hotéis e ingressos de cinema – sozinha, a plataforma movimentou 27,7 bilhões de transações (no valor de US $ 33,8 bilhões) para mais de 350 milhões de pessoas em 2800 cidades. Enquanto isso, no sudeste da Ásia, a Grab, empresa sediada em Cingapura, forçou a Uber a sair da região em 2018 e adquiriu suas operações locais. Alguns meses depois, expandiu seu aplicativo para oferecer aos seus 130 milhões de usuários não apenas entrega de alimentos e reservas de viagens, mas também serviços financeiros e outros. Além disso, ainda este ano, o Grab adicionará serviços de saúde da Ping An, a gigante da saúde digital chinesa.

Diferente dos países ocidentais, China e outros países da região se acostumaram com os super aplicativos transnacionais. Muito mais do que se acostumar, esse novo formato digital tem construído gigantes, como o WeChat, da Tencent, única empresa chinesa a fazer parte do trio que compõe o “clube dos US$ 300 bilhões”, empresas que possuem este montante como valor de mercado (as outras duas empresas do “clube” são Google e Apple). O aplicativo da Tencent, por exemplo, possui mais de 1 bilhão de usuários diários ativos e, durante o último Ano Novo Lunar Chinês, evento que durou seis dias, movimentou mais de 823 milhões de usuários trocando “hongbao”, presentes monetários enviados pelo aplicativo. Por aqui, seguimos utilizando aplicativos individuais, onde cada um faz uma tarefa e onde milhões de usuários parece algo grandioso, mas está longe dos bilhões do oriente. E você, acredita que os super aplicativos são o futuro ou são algo que só funcionam nos mercados do outro lado do planeta?

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Imagem Destaque – Toa55/Shutterstock


Victor Vasques é designer, editor chefe do Com limão e sócio proprietário da Citrus Consultoria. Como gestor de marcas e criativo, já atuou com grandes marcas, como Discovery, UOL, iG, Globo.com e VEJA.

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