Bunker Zero
Residiuum: A inovação da Lenovo por trás do novo game brasileiro
Em entrevista exclusiva, Hildebrando Lima, diretor de P&D da Lenovo, conta como a inovação vem acelerando o jogo brasileiro Residiuum.
Em entrevista exclusiva, Hildebrando Lima, diretor de P&D da Lenovo, conta como a inovação vem acelerando o jogo brasileiro Residiuum.
A CCXP25 marcou não só o retorno do público ao frenesi do pavilhão lotado, mas também a estreia da Lenovo no evento e com um projeto que promete reposicionar a marca no coração do ecossistema gamer: Residiuum Tales of Coral, game desenvolvido em parceria com a Iron Studios.
Como já havíamos adiantado no texto “A estreia épica da Lenovo na CCXP25 com Residiuum Tales of Coral“, esta é uma aposta ousada da marca de computadores. O Com limão teve o privilégio de conversar com Hildebrando Lima, diretor de P&D da Lenovo no Brasil, e entender mais detalhes sobre o papel da Lenovo neste projeto brasileiro.
Para entender melhor, precisamos observar que o verdadeiro impacto da parceria está longe dos holofotes. Ele nasce dentro do P&D brasileiro da Lenovo, um ecossistema com mais de 600 especialistas e 13 centros de inovação espalhados pelo país. Para Hildebrando Lima, diretor da área, a colaboração com a Iron é um caso raro em que tecnologia, criatividade e propósito convergem.
A ideia da Lenovo é que o jogo brasileiro seja um grande laboratório de inovação, permitindo que novas ferramentas sejam criadas. Esse conjunto de ferramentas vai desde sistemas baseados em IA para otimizar modelagem, até tecnologias inéditas que aprimoram sombras, fluidez, desempenho e pipeline de produção. O esforço, apesar de voltado para Residiuum, tem alcance maior: algumas das inovações podem ser aplicadas em VR, ambientes industriais e detecção automática de incidentes.
“A gente entrou não só com hardware, mas com soluções proprietárias criadas especificamente para o jogo (…) mapeamos inicialmente três grandes projetos que estão rodando. Desses três, cerca de 18 ou 19 tecnologias vão sair. Espero que umas oito patenteáveis.”
— Hildebrando Lima, diretor de P&D da Lenovo no Brasil
A conversa com a Iron Studios começou tímida, sem demo jogável ou sistemas avançados. Havia apenas um trailer e uma equipe apaixonada, buscando apoio tecnológico para tornar o projeto grande o suficiente para competir globalmente. “Eu queria entender a motivação deles. A pergunta era simples: vocês estão mesmo dispostos a fazer isso acontecer?”, conta Hildebrando. A resposta veio em forma de tatuagem, com Igor Catto revelando os boogie bears (personagens da franquia) marcados no braço — e, ali, o diretor viu algo raro: compromisso visceral.
Em uma breve conversa com Igor Catto, criador da franquia Residiuum e diretor criativo da Iron Studios, ele explicou ao Com limão que Residiuum é sua paixão. Apesar de, no portfólio e currículo, ter projetos como God of War, do Santa Monica Studios, criar um jogo do zero foi para ele o “grande desafio para sair da zona de conforto e voltar para o Brasil”.
Segundo o executivo da Lenovo, foi a partir desse momento, que o projeto foi reposicionado internamente. A parceria deixou de ser apoio e se tornou coautoria. O time de P&D mapeou dificuldades, criou provas de conceito e desenvolveu tecnologias proprietárias. “A inovação acontece quando você entende o desafio e cria soluções que façam o processo levar duas horas em vez de dezesseis”, explica.
“Muitos dos desenvolvedores vieram de estúdios grandes e estão acostumados com soluções do mercado (…) mas a nossa equipe, com pesquisa e desenvolvimento, consegue criar esse tipo de tecnologia [proprietária]. Porque o foco da Iron é criar o jogo, criar o storytelling. Essa tecnologia por trás não era o foco deles. Foi aí que entramos”
— Hildebrando Lima, diretor de P&D da Lenovo no Brasil
Hildebrando também destaca o aprendizado vindo da própria Iron. “Uma coisa legal foi essa parte mais do background dos jogos que eu não conhecia e eu aprendi com eles”, afirma o executivo. A construção de personagens, narrativas e universos ficcionais trouxeram lições importantes para a Lenovo em sua própria comunicação. O dragão-mascote, criado para a CCXP25 é reflexo disso: uma peça simbólica que fortalece a identidade da marca para gamers e criadores.
Questionado se a Lenovo interferiu no processo de criativo de Residiuum, Hildebrado afirma: “na parte de ideação do personagem dragão, sim, a gente participou um pouco ali na criação do dragão, porque é um personagem que será nosso, exclusivo da Lenovo, mas na criação storytelling do jogo não. Nós focamos em tecnologias que são usadas como baseline.”
E comunicação e exclusividade é o que a Lenovo busca com este projeto. A experiência na CCXP reforçou o posicionamento da marca Legion como marca top of mind entre gamers, apresentando equipamentos com IA integrada capazes de ajustar parâmetros de energia, desempenho gráfico e taxa de atualização em tempo real. Para Hildebrando, isso dialoga diretamente com o futuro do jogo. “Performance e inteligência precisam andar juntas. É isso que torna a experiência fluida”.
“Para consolidar o entendimento dessa parceria técnica, pense nela como uma equipe de Fórmula 1. O estúdio de jogos [Iron] é o piloto talentoso focado na corrida e na estratégia — a história e a arte; enquanto a Lenovo atua como a equipe de engenharia nos boxes, desenvolvendo um motor e exclusivo e a aerodinâmica para garantir que o carro não só corra, mas chegue mais rápido e com melhor desempenho do que os concorrentes que usam peças genéricas.”
— Hildebrando Lima, diretor de P&D da Lenovo no Brasil
Segundo o executivo, a evolução do projeto foi construída constantemente. “Eles trouxeram os desafios: ‘a gente tem essa dificuldade, essa dificuldade e essa dificuldade’. Fomos para brainstorm, um monte de reuniões, trocando ideias, vem para cá, vem para lá. Isso dá certo, não dá certo, prova de conceito… Opa, por esse caminho dá para resolver. O desenvolvimento que leva 16 horas, agora pode levar duas e sair um resultado ainda melhor”.
Sobre inovação, Hildebrando completa: “É interativo e contínuo. E quando você vê tem alguém fazendo alguma coisa meio parecida. Aí você para e pensa: ‘Opa, dá para fazer melhor’. A inovação é isso… Inovação é você sempre conseguir dar aquele passo além. Seja grande ou pequeno, ele precisa ser firme no chão. Ele precisa ser uma coisa que traz resultado e resolve um problema real.”
Para finaliar, é claro, não poderia deixar de perguntar se ele também é um gamer. “Já fui em Gamescom, já fui em BGS, mas CCXP É a primeira vez. Em jogos, se você olha essa feira, essa movimentação que tá sendo feita aqui é a minha primeira vez na CCXP. Estou impressionado! Eu jogo, mas eu sou mais fã de Mario, de um jogo mais linear. Eu faço programação de jogos, mas em Assembly.”
Com lançamento previsto para os próximos anos, Residiuum segue em desenvolvimento, enquanto a Iron trabalha para entregar pelo menos 12 horas de gameplay. A Lenovo, por sua vez, vê na colaboração um capítulo que transcende a feira. “Mais do que um produto, estamos construindo um case brasileiro de inovação aplicada a games”, resume Hildebrando.