Futuro
As tendências para 2026 marcam o fim da euforia digital e o início da síntese
As tendências para 2026 marcam a consolidação da IA e uma virada cultural em direção ao humano, ao imperfeito e ao essencial.
As tendências para 2026 marcam a consolidação da IA e uma virada cultural em direção ao humano, ao imperfeito e ao essencial.
No fim de 2025, eu gravei uma incrível conversa Cristina Naumovs, consultora de criatividade e inovação na Apego, para o InovaSocial, sobre “como se manter humano em um mundo de IAs” (ouça no player abaixo). Não foi um bate papo à toa, ele desenha os caminhos que veremos neste e nos próximos anos.
O ano de 2026 se projeta como um ponto de inflexão silencioso, porém profundo. Depois de um período marcado por experimentações aceleradas, crises sobrepostas e promessas infladas, o mundo entra em uma fase de consolidação. Traduzindo, depois do hype das IAs, o nosso futuro é humano. A tecnologia deixa de ser espetáculo para se tornar infraestrutura, enquanto a sociedade passa a questionar os excessos da digitalização e busca reconexão com aquilo que é tangível, imperfeito e humano.
Para muitos setores, 2026 será menos sobre crescimento acelerado e mais sobre eficiência, previsibilidade e maturidade. É nesse contexto que a tecnologia assume um novo papel. A chamada era da Inteligência Artificial Agêntica marca a transição definitiva da IA como ferramenta de apoio para sistemas autônomos capazes de planejar, decidir e executar tarefas complexas.
Em 2026, agentes de IA passam a operar processos inteiros nos bastidores das empresas, do financeiro ao marketing. A automação deixa de ser visível e passa a ser estratégica. Essa sofisticação tecnológica, paradoxalmente, alimenta um movimento contrário no comportamento social.
A exaustão digital se transforma em tendência. Consumidores passam a valorizar experiências analógicas, produtos duráveis, estética imperfeita e narrativas mais honestas. O excesso de filtros, interfaces polidas e promessas artificiais dá lugar a uma busca por autenticidade. O erro vira linguagem. A falha vira valor.
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No design e na criatividade, essa virada se materializa em escolhas visuais mais orgânicas, materiais naturais e uma estética que convida ao toque e à presença (eu prometo que trarei mais alguns conteúdos para falar sobre estes pontos). Em um mundo onde a perfeição pode ser gerada por algoritmo em segundos, o que diferencia marcas, produtos e experiências é justamente o traço humano — aquilo que não pode ser replicado com exatidão.
Assim, 2026 não será lembrado como o ano da próxima grande novidade, mas como o momento em que a sociedade começou a integrar tecnologia e humanidade de forma mais consciente. Um ano de síntese, em que eficiência e sensibilidade deixam de competir e passam, finalmente, a coexistir.
Imagem de Destaque: Greg Rosenke/Unsplash