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Apple Watch agora identifica hipertensão arterial nos brasileiros

Apple Watch lança no Brasil notificações de hipertensão baseadas em aprendizado de máquina para ajudar no diagnóstico precoce.

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As notificações de hipertensão chegam ao Apple Watch no Brasil como mais um passo na estratégia da Apple de transformar seu relógio em uma aliada direta da saúde pública. A novidade, que passa a valer a partir desta semana, amplia o conjunto de recursos cardíacos do dispositivo e mira um dos problemas de saúde mais silenciosos do mundo: a pressão alta não diagnosticada.

E aqui vai um relato pessoal. Fui diagnosticado com pressão alta antes dos 30 anos. Hoje, às vésperas dos 40, sei da importância de chegar até aqui me cuidando e atento a esta doença silenciosa. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a hipertensão arterial atinge cerca de 27,9% da população brasileira, de acordo com dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2023. Ainda segundo o levantamento do Vigitel, a prevalência do diagnóstico médico é maior entre mulheres (29,3%) do que entre homens (26,4%) nas 27 capitais brasileiras.

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No mundo, estima-se que a hipertensão afeta cerca de 1,4 bilhão de pessoas globalmente e aproximadamente 40% convivem com a condição sem saber. O motivo é simples e perigoso: na maioria dos casos, ela não apresenta sintomas claros. Muitas pessoas não realizam consultas médicas regulares, especialmente entre os 30 e 40 anos, fase em que a doença costuma surgir. Mesmo quando há acompanhamento clínico, medições pontuais podem não refletir a realidade, já que a pressão arterial varia ao longo do dia.

Foi diante desse cenário que a Apple desenvolveu o novo sistema de notificações de hipertensão, baseado em aprendizado de máquina. O recurso utiliza dados do sensor óptico de frequência cardíaca do Apple Watch para identificar sinais consistentes associados à condição ao longo do tempo. Importante destacar que o relógio não mede diretamente a pressão arterial nem fornece valores numéricos. O foco está na detecção de padrões compatíveis com hipertensão crônica, analisados após um período mínimo de 30 dias de coleta de dados.

A funcionalidade foi criada seguindo três pilares fundamentais da estratégia de saúde da empresa: embasamento científico, informação acionável e privacidade. O algoritmo passou por estudos clínicos com mais de 100 mil participantes e, em sua validação final, contou com dados de cerca de 2 mil pessoas que usaram o Apple Watch enquanto realizavam medições tradicionais de pressão duas vezes ao dia. Os resultados mostraram desempenho comparável ao de medições clínicas, com alta especificidade e baixo índice de falsos positivos.

No Brasil, o recurso está disponível para usuários a partir do Apple Watch Series 9 e Ultra 2, modelos que contam com o conjunto mais avançado de sensores e processamento. Não é necessário atualizar o sistema operacional. Basta acessar o aplicativo Saúde no iPhone, entrar no checklist de saúde e iniciar o processo de ativação, que inclui a confirmação de idade mínima de 22 anos e a ausência de diagnóstico prévio de hipertensão.

Caso sinais consistentes sejam identificados, o usuário recebe uma notificação no Apple Watch e no iPhone, acompanhada de orientações claras sobre os próximos passos. Entre eles, está a recomendação de procurar um médico e realizar um acompanhamento de sete dias com um medidor tradicional de pressão, cujos dados podem ser registrados diretamente no app Saúde. Por fim, o sistema gera um relatório organizado e compartilhável, pensado para facilitar o diálogo com profissionais de saúde.

Além disso, a Apple reforça o papel do compartilhamento de dados de saúde entre familiares, permitindo que pessoas autorizadas visualizem notificações relevantes, sempre sob controle rigoroso de privacidade. Ao apostar em tecnologia preventiva, a empresa amplia o alcance do diagnóstico precoce e contribui para reduzir os riscos associados a uma condição que, quando ignorada, pode levar a complicações graves como AVC, insuficiência cardíaca e danos aos rins.



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