Tecnologia
Samsung Music Studio transforma a caixa de som em objeto de design
Samsung Music Studio 5 e 7 chegam ao Brasil com design de Erwan Bouroullec, áudio inteligente e integração com a casa conectada.
Samsung Music Studio 5 e 7 chegam ao Brasil com design de Erwan Bouroullec, áudio inteligente e integração com a casa conectada.
Durante muito tempo, equipamentos de áudio doméstico foram projetados para desaparecer. Caixas pretas, grades discretas e formatos essencialmente técnicos faziam com que alto-falantes fossem posicionados nos cantos da sala, escondidos atrás de móveis ou tratados como acessórios inevitáveis da televisão.
A chegada das Samsung Music Studio 5 e Music Studio 7 ao Brasil aponta para outra direção. Em vez de pedir licença à decoração, os novos smart speakers assumem uma presença visual clara. São dispositivos de áudio, mas também objetos pensados para participar da composição dos ambientes.
O desenho assinado pelo francês Erwan Bouroullec é o elemento que primeiro chama atenção. Conhecido por uma abordagem que combina simplicidade, funcionalidade e formas naturais, o designer criou uma identidade baseada em dois elementos essenciais: uma superfície circular e um ponto central. Essa combinação aparece na parte frontal dos dois modelos e estabelece uma linguagem visual reconhecível mesmo à distância.
A escolha não é apenas decorativa. O círculo remete à anatomia tradicional dos alto-falantes e à maneira como as ondas sonoras se expandem pelo espaço. O ponto, por sua vez, funciona como centro visual da composição, quase como a origem imaginária do som.
O resultado é um produto que parece familiar, mas não convencional. Há algo da memória das antigas caixas acústicas, dos discos e dos equipamentos de alta fidelidade, reinterpretado por uma linguagem minimalista e contemporânea.
Para Bouroullec, música e som podem ser compreendidos como o ar e a luz; elementos capazes de alterar a atmosfera e até a percepção de um espaço. Essa ideia orientou o desenvolvimento das Music Studio. O objetivo não era desenhar somente uma embalagem para componentes eletrônicos, mas criar uma forma visual para algo que normalmente é invisível.
Essa visão ajuda a explicar por que os modelos não tentam parecer apenas pequenos eletrodomésticos. Suas proporções, curvas e superfícies fazem com que possam ser colocados sobre uma estante, um aparador ou uma mesa lateral sem produzir a sensação de que existe um equipamento técnico deslocado naquele lugar.
A Music Studio 5 apresenta a interpretação mais escultórica dessa proposta. Sua silhueta compacta tem a parte superior arqueada, enquanto a grande forma circular frontal é interrompida pelo ponto central. Dependendo do contexto, o conjunto pode lembrar uma caixa acústica vintage, um objeto gráfico tridimensional ou uma pequena peça de arte.
Já a Music Studio 7 possui um corpo mais robusto e uma presença visual associada à potência. O desenho mantém a mesma assinatura baseada no círculo e no ponto, criando unidade entre os produtos, mas acomoda uma arquitetura sonora mais complexa.
Essa relação entre semelhança e diferença é importante. Em vez de desenvolver dois aparelhos sem conexão visual, a Samsung criou uma família de objetos. A escolha permite que diferentes modelos convivam em uma mesma casa sem parecerem equipamentos acumulados ao acaso.

A colaboração entre Erwan Bouroullec e a Samsung não surgiu com as novas caixas de som. O designer também participou da criação da The Serif, televisão que ajudou a questionar a ideia de que uma TV deveria ser apenas uma tela retangular ultrafina instalada na parede.
Apresentada como um objeto capaz de ocupar o centro dos ambientes, a The Serif recebeu um Gold Award no iF Design Awards em 2016. Uma década depois, a Music Studio recupera parte dessa lógica: a tecnologia não precisa ser escondida para se integrar à casa. Ela pode assumir uma identidade própria e, ao mesmo tempo, conviver com móveis, livros, luminárias e objetos pessoais.
Essa continuidade revela uma estratégia mais ampla. O design deixa de ser um acabamento aplicado quando o produto está praticamente pronto e passa a participar da definição de sua função, de sua localização e da forma como as pessoas se relacionam com ele.
No caso de uma caixa de som, essa discussão é especialmente relevante. O posicionamento do equipamento interfere na experiência acústica, mas também altera a organização visual do ambiente. Quanto mais liberdade um produto oferece para ser colocado em diferentes locais, maior é a necessidade de que sua aparência funcione além de uma configuração técnica idealizada.
O reconhecimento mais significativo dessa abordagem veio com o Gold Award concedido à Music Studio 5 no iF Design Awards 2026. Ao todo, a Samsung recebeu 77 prêmios na edição, distribuídos por áreas como design de produto, embalagem, comunicação, experiência do usuário e interface. Apenas dois projetos da empresa receberam a distinção Gold, entre eles o novo speaker.
A premiação destacou a maneira como o modelo combina uma aparência atemporal com detalhes funcionais. A parte frontal possui uma grade metálica finamente perfurada, desenvolvida para esconder os componentes internos sem bloquear a passagem do som. Vista de longe, a superfície preserva a unidade visual do objeto. De perto, as pequenas perfurações revelam sua natureza acústica.

Esse detalhe mostra como uma decisão de engenharia pode se tornar parte da linguagem estética. Em muitos equipamentos, grades e aberturas são tratadas como interferências inevitáveis. Na Music Studio 5, elas participam da identidade do produto.
A iluminação frontal dinâmica segue o mesmo princípio. Em vez de adicionar uma tela permanente ou uma sequência de botões visualmente dominantes, sinais luminosos ajudam a comunicar funções e estados do dispositivo. A interface aparece quando é necessária e recua quando não está sendo usada.
É uma solução coerente com a proposta minimalista. A tecnologia permanece acessível, mas não exige atenção o tempo todo.
Criar uma caixa de som visualmente diferente é relativamente simples quando o desempenho acústico não está no centro do projeto. O desafio real aparece quando a forma precisa acomodar woofers, tweeters, circuitos, estruturas de ventilação e mecanismos de controle sem comprometer a reprodução sonora.
Segundo a equipe responsável pela Music Studio, o desenvolvimento exigiu um diálogo contínuo entre design e engenharia. As formas iniciais foram ajustadas para melhorar a acústica, preservar a identidade visual e organizar os componentes dentro de volumes compactos. Na Music Studio 5, a estrutura microperfurada foi uma das soluções encontradas para equilibrar refinamento visual e desempenho.
O mesmo processo aparece de maneira ainda mais evidente na Music Studio 7. O modelo utiliza um sistema de 3.1.1 canais, projetado para distribuir o áudio para a frente, para as laterais e para cima. Tecnologias de direcionamento ajudam a separar os canais e a criar uma percepção espacial mais ampla a partir de um único equipamento.
Já a Music Studio 5 trabalha com uma configuração 2.0 canais e prioriza a combinação entre dimensões compactas, streaming sem fio e reprodução equilibrada. A escolha cria uma distinção clara: a versão 5 tende a funcionar como um objeto sonoro mais discreto e flexível, enquanto a versão 7 procura oferecer maior imersão em filmes, séries, jogos e música.
O design de um produto contemporâneo não se limita à forma física. Ele também está presente na maneira como o dispositivo responde ao ambiente e reduz a quantidade de ajustes exigidos do usuário.
As duas Music Studio contam com recursos que analisam o conteúdo reproduzido e as características do espaço. O SpaceFit Sound Pro ajusta a equalização e a potência de acordo com o cômodo, enquanto a equalização automática identifica diferenças entre conteúdos como filmes, partidas esportivas e shows.
Outro recurso utiliza inteligência artificial para analisar as vibrações do woofer e reduzir distorções nos graves. Na prática, a tecnologia procura extrair maior profundidade sonora de um gabinete compacto sem exigir que o usuário compreenda frequências, curvas de equalização ou parâmetros técnicos.
Esse tipo de automação também pode ser entendido como design. Uma boa experiência não depende apenas de uma interface bonita, mas da capacidade de eliminar decisões desnecessárias.
Quando o aparelho reconhece o ambiente e ajusta o som automaticamente, parte da complexidade técnica permanece invisível. O produto passa a se adaptar à casa, em vez de obrigar a casa e seus moradores a se adaptarem a ele.
Embora possam funcionar individualmente, as Music Studio foram projetadas para participar de um ecossistema maior. Os modelos possuem conexão por Wi-Fi e Bluetooth, integração com o SmartThings e suporte a serviços e padrões como Spotify Connect, Google Cast e AirPlay. Também contam com Alexa integrada para comandos de voz.
O Spotify Tap permite iniciar uma reprodução por meio de um comando no próprio aparelho após a configuração inicial. A solução reduz a dependência do smartphone em momentos cotidianos, como colocar uma playlist ao chegar em casa ou iniciar uma música durante uma refeição.
Com o Stereo Play, duas unidades do mesmo modelo podem trabalhar como canais esquerdo e direito. O Group Play permite conectar até dez dispositivos compatíveis na mesma rede Wi-Fi e distribuir música por diferentes ambientes, com controle individual de volume.
A integração com televisores Samsung ocorre por meio do Q-Symphony, chamado de Sincronia Sonora no Brasil. O recurso combina os alto-falantes da TV com caixas e soundbars compatíveis, criando diferentes camadas de áudio sem inutilizar os componentes já presentes na tela. Em modelos de televisão lançados em 2026, o sistema admite até cinco dispositivos de áudio simultaneamente.
Essa conectividade amplia o papel do design no espaço doméstico. A composição sonora deixa de depender obrigatoriamente de um conjunto simétrico de grandes caixas e cabos aparentes. O usuário pode construir uma configuração progressiva, distribuída e mais compatível com as limitações de apartamentos e salas multifuncionais.
A existência de dois modelos não responde apenas a diferenças de potência. A Samsung afirma ter identificado perfis distintos de consumo: pessoas que utilizam a música como parte do cotidiano e ouvintes que buscam maior atenção aos detalhes e uma experiência imersiva.
A Music Studio 5 se aproxima do primeiro grupo. Seu tamanho e sua aparência favorecem o uso em quartos, escritórios, estantes e ambientes nos quais a caixa de som divide espaço com outros objetos.
A Music Studio 7 conversa mais diretamente com quem deseja centralizar música e entretenimento audiovisual. Além do sistema de 3.1.1 canais e do áudio de alta resolução, o modelo possui entrada HDMI eARC, facilitando sua integração com televisores e conteúdos em formatos espaciais.
Nos dois casos, o desenho procura evitar uma escolha comum no mercado: aceitar um produto visualmente genérico para obter melhor desempenho ou privilegiar a estética e abrir mão de recursos técnicos.
Isso não significa que uma caixa de som possa ser avaliada apenas por fotografias, especificações ou prêmios. Qualidade sonora também depende do ambiente, das fontes reproduzidas e das expectativas de cada pessoa. Ainda assim, a proposta demonstra que o projeto formal não precisa ser tratado como adversário da engenharia acústica.
No lançamento brasileiro, a Samsung anunciou a Music Studio 5 por R$ 1.599 e a Music Studio 7 por R$ 2.499. Os valores posicionam os aparelhos acima de caixas Bluetooth portáteis convencionais e dentro de uma categoria que combina áudio residencial, casa conectada e design de interiores.
Essa posição também ajuda a explicar o investimento em uma assinatura autoral. A compra não se resume à potência ou ao número de canais. Inclui a expectativa de que o produto permaneça visível, seja utilizado diariamente e mantenha sua relevância estética por mais tempo.
Ao trazer as Music Studio 5 e 7 ao Brasil, a Samsung aposta em uma mudança de percepção: a caixa de som não precisa ser um objeto técnico tolerado na sala. Ela pode participar da identidade daquele espaço.
O Gold Award recebido pela Music Studio 5 reforça essa ambição, mas o aspecto mais interessante da linha está no equilíbrio procurado entre expressão e discrição. O círculo frontal torna os produtos reconhecíveis. As curvas suavizam sua presença. A interface luminosa comunica sem dominar. A conectividade permite ampliar o sistema sem transformar a casa em uma instalação técnica.
No fim, as novas Music Studio propõem algo aparentemente simples, mas que o mercado parecia ignorar; dar forma ao som sem criar mais ruído visual.