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Com limão 20 anos: O que permanece quando tudo muda?

O Com limão completa 20 anos e revisita sua trajetória entre design e inovação, com a curiosidade que orienta os próximos passos.

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Em setembro de 2006, o Com limão entrou no ar (pelo no formato que conhecemos). Escrever isso em 2026 provoca uma sensação curiosa, porque vinte anos parecem muito tempo para qualquer projeto, mas representam quase uma era inteira quando falamos de internet, tecnologia e design.

Naquele momento, o mundo digital era bastante diferente daquele que conhecemos hoje. O smartphone ainda não tinha se tornado o centro da nossa vida cotidiana, as redes sociais davam seus primeiros passos e os blogs eram um dos principais espaços para quem queria publicar ideias, compartilhar referências e participar de discussões fora dos veículos tradicionais. O próprio design passava por uma transformação importante, tentando entender o que significava projetar para um mundo que começava a se tornar cada vez mais conectado.

Foi nesse contexto que o Com limão nasceu. A proposta era relativamente simples, criar um espaço para falar sobre design, compartilhar repertório — que naquele momento era de um estudante universitário, e contribuir para ampliar essa conversa no ambiente digital. Não havia um plano de negócios para as duas décadas seguintes, uma estratégia de expansão ou qualquer previsão muito precisa sobre aquilo que o projeto poderia se tornar.

Virar empresa? Nem passava pela minha cabeça!

Ainda bem. Provavelmente teria errado quase tudo.

Desde então, o mundo mudou em uma velocidade difícil de colocar em perspectiva. Assistimos ao surgimento e ao desaparecimento de plataformas, à popularização dos smartphones, à transformação das redes sociais em parte central da cultura, ao crescimento do streaming, da computação em nuvem e das interfaces digitais (e nem quero entrar no assunto das IAs).

20 anos depois: O que permanece quando tudo muda?

Vimos também surgirem novas disciplinas, novas profissões e novas formas de trabalhar. UX, design de serviços, realidade virtual, impressão 3D, IAgen e tantas outras tecnologias passaram, em diferentes momentos, da curiosidade experimental para o centro das discussões sobre negócios, cultura e sociedade.

Nesse percurso, o design também precisou se reinventar inúmeras vezes. E, curiosamente, morreu inúmeras vezes.

Ao longo desses vinte anos, não faltaram previsões sobre o fim da profissão. Templates acabariam com o trabalho dos designers. Ferramentas mais simples eliminariam a necessidade de especialistas. Plataformas capazes de democratizar a produção visual tornariam determinadas competências irrelevantes (alô aos amigos do Canva). Agora, a inteligência artificial aparece como mais um capítulo dessa história.

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Mas talvez exista um problema recorrente nessas previsões: Confundir design com ferramenta.

As ferramentas mudam e continuarão mudando. A maneira como produzimos uma apresentação, uma identidade visual, uma interface ou uma imagem certamente será muito diferente daqui a alguns anos. Mas observar um problema, compreender contextos, conectar informações, identificar oportunidades e imaginar soluções continua sendo um trabalho muito mais amplo do que operar qualquer software.

O próprio Com limão foi mudando à medida que essas transformações aconteciam.

Aquilo que começou essencialmente como um espaço de conteúdo logo começou a criar conexões com pessoas, empresas e organizações. As conversas geravam novos projetos, os projetos traziam novos problemas e esses problemas exigiam outras competências. Aos poucos, pesquisa, estratégia, branding, tecnologia, inovação e futuros começaram a ocupar o mesmo espaço que antes era dedicado principalmente ao design.

20 anos depois: O que permanece quando tudo muda?

Em 2011, essa trajetória também ganhou uma nova dimensão com a Com limão & Co., transformando parte dessa experiência acumulada em uma atuação de consultoria. A partir dali, a distância entre aquilo que discutíamos e aquilo que fazíamos se tornou cada vez menor. Em 2026, uma nova etapa… uma comunidade! Viramos um ecossistema que costura marcas, mercado e academia.

Publicar uma reflexão sobre transformação digital podia levar a uma conversa com uma empresa enfrentando exatamente aquela transformação. Uma discussão sobre comportamento podia se transformar em pesquisa. Uma investigação sobre impacto podia gerar um projeto. Uma curiosidade sobre determinada tecnologia podia eventualmente virar uma ferramenta, uma plataforma ou um novo serviço.

Talvez por isso seja difícil definir o Com limão apenas como uma publicação ou apenas como uma consultoria.

Nunca fomos exatamente uma empresa de conteúdo que decidiu prestar serviços, assim como nunca fomos uma consultoria que começou a produzir conteúdo como estratégia de marketing. Essas duas dimensões sempre acabaram se alimentando e fazendo parte do nosso DNA.

O conteúdo nos ajuda a organizar aquilo que estamos observando no mundo. Os projetos nos colocam diante da complexidade real das organizações, das pessoas e das decisões. A pesquisa alimenta novas perguntas. As conversas criam conexões inesperadas. E dessas conexões surgem novas ideias.

20 anos depois: O que permanece quando tudo muda?

Ao longo do tempo, esse movimento ampliou também o território das nossas discussões. Começamos falando principalmente sobre design, mas logo percebemos que as fronteiras entre as disciplinas estavam desaparecendo. Um reflexo da minha própria caminhada, que me fez navegar por várias áreas do design.

Hoje é praticamente impossível falar seriamente sobre design sem falar sobre tecnologia. Da mesma maneira, é difícil discutir tecnologia ignorando comportamento, cultura ou sociedade. Inovação sem impacto se tornou uma conversa incompleta. E pensar sobre o presente sem considerar os futuros que estamos ajudando a construir parece cada vez menos responsável.

Foi assim que temas como inovação, impacto social, inteligência artificial, futuros e transformação tecnológica passaram naturalmente a fazer parte do universo do Com limão.

Não foi exatamente uma decisão de abandonar um assunto para perseguir outro mais novo. Foi consequência de continuar seguindo as perguntas. Talvez esse seja, na verdade, o fio mais consistente desses vinte anos: a curiosidade. Algo que sempre falo ser obrigatório para a vida do designer.

A vontade de olhar para alguma coisa que está acontecendo e tentar entender por quê. Depois imaginar o que aquilo pode provocar. E, eventualmente, perguntar se existe uma maneira diferente de fazer.

Esse espírito também explica por que o Com limão nunca ficou restrito a um único formato. Algumas coisas funcionaram muito bem. Outras nem tanto. Algumas continuam existindo. Outras fizeram sentido apenas durante determinado momento.

Isso também faz parte de uma trajetória de vinte anos!

Existe uma tendência natural, quando celebramos aniversários importantes, de organizar o passado como se tudo tivesse seguido uma linha cuidadosamente planejada. Foi assim, há menos de uma semana, quando completei 40 anos de vida.

20 anos depois: O que permanece quando tudo muda?

Projetos são feitos de decisões, tentativas, desvios, erros, encontros inesperados e oportunidades que não poderiam ter sido previstas quando tudo começou. O Com limão também é resultado disso.

E talvez uma das transformações mais importantes dos últimos anos tenha sido justamente perceber que aquilo que durante muito tempo chamamos de audiência poderia ser entendido de outra maneira… comunidade.

Durante muitos anos, produzimos conteúdo para pessoas. Hoje, cada vez mais, buscamos criar espaços para que essas pessoas também possam conversar entre si, compartilhar conhecimento, construir relações e criar coisas juntas.

Parece apenas uma pequena mudança de perspectiva, mas ela altera profundamente a lógica do que estamos construindo. O conhecimento deixa de circular em uma única direção. A publicação deixa de ser apenas um ponto de chegada e passa a funcionar também como ponto de encontro.

Quando olho para os vinte anos do Com limão, é justamente isso que mais me interessa.

20 anos depois: O que permanece quando tudo muda?

Não apenas os projetos realizados, as empresas com quem trabalhamos, os textos publicados ou as pessoas que passaram por aqui, embora tudo isso faça parte da história. O que me interessa é perceber como uma ideia relativamente simples, criada em 2006 para discutir design na internet, conseguiu continuar se transformando sem precisar abandonar aquilo que estava em sua origem.

A curiosidade permanece. A vontade de compartilhar conhecimento permanece. O interesse por pessoas e pelas transformações que acontecem ao nosso redor permanece.

Talvez tenhamos mudado justamente para que essas coisas pudessem continuar existindo.

Por isso, completar vinte anos não parece exatamente uma chegada. Também não parece um momento para olhar apenas para trás. É mais interessante olhar para frente.

Em 2006, seria praticamente impossível imaginar como trabalharíamos em 2026. Não conseguiríamos antecipar grande parte das tecnologias que hoje fazem parte da rotina, muito menos todas as transformações culturais, econômicas e sociais que aconteceriam nesse período.

Da mesma forma, provavelmente somos incapazes de descrever com precisão como será o mundo em 2046…

E existe algo de estimulante nisso.

Significa que ainda haverá tecnologias para entender, comportamentos para observar, modelos para questionar, pessoas para conhecer e projetos que hoje sequer sabemos que precisam existir.

Depois de vinte anos, talvez a maior conquista não seja ter encontrado respostas para todas as perguntas que tínhamos quando começamos.

É ainda termos perguntas. E continuarmos curiosos o suficiente para ir atrás delas.

Obrigado pelos últimos 20 anos e que venham os próximos 20.


Imagem Destaque: Markus Spiske/Unsplash



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