Design

O design morreu! A inteligência artificial vai nos substituir

Entenda por que a IA no design não vai roubar seu emprego e aprenda a usá-la como uma ferramenta estratégica no mercado

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O design morreu. Eu escuto essa frase nos últimos 20 anos e ainda estamos aqui. Com a “chegada” da inteligência artificial no design (que, vale dizer, não é algo novo e você pode ouvir um pouco mais no podcast abaixo), parece que o mercado sofre de um surto coletivo somado a uma crise de ansiedade sem precedentes.

Eu não sou melhor do que ninguém, mas acredito que a experiência nos faz mais serenos e observadores. Pouco mais de uma década, quando o Canva foi lançado, o mercado de design também morreu. Se nós partimos desta para melhor, então porque a última década foi o período em que a Com limão & Co. mais cresceu? Será que somos o alecrim dourado do mercado? A resposta é bem simples, um sonoro e simples “não”.

Curiosamente, na última semana, eu me tornei Canvassador (embaixador do Canva) no Brasil e continuo sendo designer. Aliás, estamos procurando mais interessados a levar o crescimento da comunidade pelo país. Você pode acessar mais informações aqui.

Mas, afinal, por que o mercado então sofre de ansiedade coletiva contra a inteligência artificial no design?

O primeiro ponto que você precisa entender é que tem (muita) gente que lucra com essa ansiedade. E não estou falando apenas de coachs pilantras. O setor de educação, que hoje é muito lucrativo, vende cursos de reciclagem para profissionais mais velhos, cursos complementares para quem está começando e por aí vai. Isso não é ruim, educação é e sempre será importante, mas tem sempre alguém que “perde a mão” no discurso comercial.

Somado a isso, temos a máquina de moer gente, o nosso “bom” e velho capitalismo. Aquele layoff que só estava buscando uma justificativa, encontra na IA um trampolim para o famoso corte de gastos. E, de novo, com a experiência que tenho, já vi layoff acontecer de diversas formas e bem pouco inteligentes.

O que eu faço agora?! A inteligência artificial vai roubar meu emprego?

Vou confessar que já estou cansado de falar, mas repito: trate a IA como uma ferramenta. Ontem (03), algumas IAs saíram do ar. Se a ferramenta está fora do ar, o mundo para? Você entende a loucura?

A inteligência artificial no design é uma excelente aliada, mas você ainda precisa fazer seu trabalho. Quando ela para, quando ela erra, quando ela simplemente alucina. Além disso, dar autonomia para a IA é um surto capitalista que logo vai ter fim por um motivo muito simples: vamos descobrir que a máquina não funciona sozinha. Ou, do contrário, a raça humana já era ao melhor estilo Matrix e Exterminador do Futuro.

Quer um exemplo prático?

A Tesla anunciou que “o futuro chegou em Austin”. Os táxis autônomos da Cybercab são uma promessa incrível de renovação da mobilidade. Sem a necessidade de motoristas e 100% elétricos, a corrida custa quase a metade de uma do Uber.

Uma promessa incrível! Carros lindos e futuristas, com autonomia de pilotagem e conforto luxuoso. O melhor de tudo, com um custo bem menor das soluções que envolvem humanos. Eu não vou nem entrar no mérito que a IA precisa funcionar perfeitamente (já vimos em algumas cidades dos EUA a confusão que alguns carros autônomos fazem). Quero trazer outros questionamentos:

  • Sempre que um passageiro sai, o Cybercab volta para uma central para ser limpo? Ou ele fica rodando o dia todo do mesmo jeito? O que acontece se o passageiro anterior derrubar uma bebida com leite no calor do Rio de Janeiro?
  • Ok, eu posso reportar a sujeira. Mas o Cybercab só tem dois lugares, isso quer dizer que não posso andar de táxi com a minha esposa e filho(s)? E se eu colocar 5 pessoas dentro do Cybercab, igual um digno carro de palhaço?

Entende onde quero chegar? Quando chamamos um Uber, por mais que existam motoristas ruins, estamos contratando um serviço; não apenas um produto. Existe um pacote completo por trás e que, muitas vezes, o cliente esquece ou nem percebe.

O mesmo pacote de entrega existe no design!

Quando o cliente contrata um designer para fazer uma identidade visual, ele não sabe todo o trabalho que existe para que você entregue aquele logo belíssimo e o manual de marca que faz sentido. É por isso que, de alguma forma, precisamos mostrar para o cliente que ele está contratando um pacote de soluções.

E não apenas um fazedor de logo!

Existe uma série de questões que nos colocam na atividade de serviço, e não de produto. Legalmente falando, mas explicar isso neste momento seria muito técnico e ficaria longo demais — prometo que, em breve, você verá convites para alguns bate-papos sobre temas mais complexos.

Se nós, designers, entregamos serviço, então não somos diferente de um eletricista ou um arquiteto, certo? E, por que, a maioria das pessoas, não saem fazendo a elétrica ou construindo a própria casa? Porque elas não sabem!

Mas, por muito tempo, escondemos o processo de trabalho do cliente, como se fosse um segredo industrial. A fórmula mágica da Coca-Cola. Quando a fórmula não está no processo, mas aí, dentro da sua cabecinha.

Eu sei que você está cansado, mas… faculdade é importante!

Sabe o que difere um designer operacional de um designer estratégico? Conhecimento. Não é ferramenta, não é senso estético… é conhecimento teórico, referências. É aqui que o cliente olha e pensa “eu não sei fazer isso!”.

Quando você traz metodologias e processos que foram desenvolvidos para o design, ele agrega valor ao seu trabalho e você deixa de ser o designer que trabalha no quarto escuro com fones de ouvido e passa ser o designer especialista em branding, embalagem e por aí vai.

Isso também ajuda você a não trabalhar no modo freestyle. Até mesmo a precificar melhor, porque você passa a entender o seu trabalho como um processo, não uma loucura criativa que desce dos céus com anjos tocando trombetas.

E eu não estou falando de fazer grids malucos com Proporção Áurea e/ou Sequência de Fibonacci (você pode até fazer isso), mas precisa fazer sentido. Um teste A/B, um mapa de calor ou a aplicação de processos de Design Thinking talvez faça mais sentido para o seu cliente do que aquele grid maluco, que mais parece a teia do Homem-Aranha.

O que o cliente muitas vezes não vê, e que a Inteligência Artificial ainda não consegue orquestrar sozinha, é que essa “intuição” dentro da nossa cabeça é puro repertório técnico. Nós não entregamos apenas telas ou marcas; nós aplicamos heurísticas de usabilidade, estruturamos hierarquias visuais baseadas em Gestalt e garantimos que o projeto atenda às diretrizes de acessibilidade (WCAG).

A IA pode até acelerar de um layout, mas ela não senta com o seu cliente para extrair as regras de negócio e traduzir isso em uma interface que realmente converte. No fim deste texto, trago alguns livros que podem te ajudar no dia a dia.

Para finalizar, quero deixar uma mensagem para quem está ansioso com a inteligência artificial no design e tantos outros fantasmas que aparecem diariamente: use seu senso crítico. Cuidado com desesperos do Twitter ou histórias do mercado; aquele layoff sempre tem um fundo mais obscuro e aquele logo feito na IA sempre tem um amador por trás.


Imagem Destaque: Brian Wangenheim/Unsplash



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